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Resenha: Rurouni Kenshin v.1 [mangá]

3 de agosto de 2012

Autor: Nobuhiro Watsuki
Tradutor: Kenichiro Yagi
Letrista: Steve Dutro
Ano das publicações originais: 1994
Língua original: Japonês

Título no Brasil:
Samurai X (volumes 1 ao 6)
Editora: VIZ Media
ISBN 13: 9781421520735
576 páginas

Avaliação:

Atenção! Esta resenha aborda os três primeiros volumes japoneses do mangá, reunidos em um único volume pela editora VIZ Media.

Olá leitores e leitoras mais pacientes e querid@s da blogosfera literária! Dei uma sumida longa depois da última resenha, mas aqui estou de volta para mostrar (e falar muito bem sobre, se preparem!) a mais nova paixão literária dos meus dias, um mangá super célebre assinado por Nobihuro Watsuki, que se passa nos primeiros anos da Era Meiji do Japão imperial. Só com isso já dá pra matar, não é mesmo?

Durante as duas últimas semanas, minhas atenções de leitora se voltaram exclusivamente para Rurouni Kenshin (no Brasil, Samurai X, pela JBC), lançado no Japão no ínicio dos anos 90 e, no Brasil, no comecinho dos anos 2000. Aqui, o mangá ganhou espantosos 56 números, sendo que cada volume original japonês foi dividido ao meio. Esta humilde blogueira estava esperando pela relançamento da série, prometido pela JBC no Festival do Japão deste ano em São Paulo, mas não resistiu: adquiriu o primeiro volumão da americana VIZ Media, que condensa os três primeiros volumes do mangá (são ao todo nove números nessa coleção). E sabe que não me arrependo? A edição é maravilhosa, a encadernação é bem robusta e o papel das folhas é superior. Um gostinho:

Quando conto a alguém que estou lendo Rurouni Kenshin, as reações são praticamente as mesmas. Falam coisas como: “Caramba! Minha infância!”. Bom, na minha sincera opinião, não acho que RuroKen seja, de nenhuma forma, um mangá para crianças. Mas como aqui no Brasil (e acredito que em muitos outros lugares também!) quase tudo que é quadrinho cai na enorme classificação de infantil, acho que isso acabou acontecendo, ainda mais porque o anime também foi lançado por aqui. Mas o fato é que o mangá é indicado para older teens, ou seja, a partir dos 16 anos, o que eu acho bastante adequado. O porquê disso?

Rurouni Kenshin é uma história muito violenta. Nosso protagonista, que se diz um rurouni (palavra criada pelo autor a partir do termo japonês “rouni”, que significa “andarilho”), é um ex-hitokiri: um hábil assassino espadachim responsável por retalhar quantos corpos vivos fossem necessários para que os caminhos da revolução Meiji pudessem ser abertos e o Japão superasse o xogunato, sua fase feudal, e se tornasse um império, mais aberto e moderno.

Himura Kenshin (lembre-se que, na ordem japonesa, temos: 1. sobrenome 2. nome) é o nosso protagonista. Ele foi baseado em um dos quatro hitokiri mais notáveis do período Bakumatsu, que marcou o declínio do domínio dos xoguns sobre o Japão: Kawakami Gensai. Gensai, apesar da fama e das habilidades assassinas, tinha uma aparência bastante delicada e baixa estatura. E foi assim que nasceram as formas do personagem de Watsuki. Há muitos outros personagens do mangá baseados em figuras históricas, dá uma verdadeira aula de história pra quem gosta de pesquisar.

A história tem início, mais precisamente, no décimo primeiro ano da Era Meiji. Kenshin há muito abandonara seu posto como hitokiri para se tornar um andarilho. Mas, seria ele mesmo um simples andarilho? Na verdade, bem longe disso. Com o coração cheio de peso pelas mortes que causara e pelo sangue que derramara no passado, ele decide vagar por Tóquio sempre à espreita de malfeitores que possam ser punidos e de alguém que corra perigo e precise de suporte e socorro. Em outras palavras, Himura Kenshin, ex-assassino político, torna-se um super herói do Japão imperial (a diferença é que o “super”, aqui, decorre de treino e determinação, e não de mutações genéticas…!).

Mas RuroKen não é só sangue e morte. Bem longe disso! Há inúmeras referências históricas e culturais nipônicas no mangá, o que é um verdadeiro encantamento para uma iniciante no campo, como eu. Os traços de Watsuki são belíssimos e muito detalhados, os desenhos parecem saltar das páginas e nos convidar a fazer parte dessa paisagem japonesa inalcançável no tempo e espaço. Romance e dramas pessoais também não fazem falta em RuroKen, tudo rodeado por aquela aura superior de honra oriental. É bonito demais!

Um fato curioso é que, apesar de ser um mangá shounen (ou seja, cujo público-alvo são rapazes), Watsuki passou um bom tempo recebendo mais cartas de fãs mulheres! Em vez de se espantar ou até mesmo se decepcionar com tal fato, acho que ele deveria se orgulhar. Kamiya Kaoru, a garota que acolhe Kenshin em seu dojo (escola de artes marciais) e passa a conviver com ele desde então, é minha personagem feminina preferida até agora. Mas acho que Watsuki foi injusto com a moça nesses três números…! Ela teve um início espetacular e merece muito mais destaque, a meu ver.

Nestes primeiros volumes da saga, acompanhamos o encontro (mais que peculiar!) de Kenshin e da jovem professora de artes de espada Kaoru, como já disse. Também passam a fazer parte do núcleo da história o garotinho Yahiko, que trabalhava como ladrão para sustentar aqueles que o criavam depois da trágica morte dos pais, Sagara Sanosuke, outro jovem entusiasta das armas e luta orientais, e a médica Takani Megumi, uma segunda protagonista feminina muito forte que (pra variar!) possui um passado venenoso e cheio de névoas.

Os três primeiros volumes de Rurouni Kenshin foram suficientes para me conquistar. Vou até o fim da série, minha primeira em mangá, disso não há dúvidas, e fica a expectativa de que a saga do rurouni continue, pra mim, cada vez melhor.

P.S.: Esse primeiro volume da VIZ traz como bônus, ao fim dos três volumes do mangá oficial, duas histórias que foram desenvolvidas por Watsuki como “rascunhos” da série definitiva. Foi muito interessante (e divertido!) ver sua evolução no traço, na construção dos personagens e no texto. Bravo!

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Resenha: Galactic Friend E.T. (Neca, 2012) [action figure]

28 de julho de 2012

Desenvolvimento de produto: Randy Falk
Escultora: Adrienne Smith
Fabricação: Anthony Minichino
Tinta: Jon Wardell e Geoffrey Trapp
Protótipos: Adam Smith

Avaliação:

Olá, leitores e leitoras! Puxa, como eu demorei a dar as caras por aqui, hein?! Foram muitas coisas pra resolver, probleminhas no trabalho, na universidade e de saúde… mas já estou de volta pra mostrar uma novidade muito curiosa pra vocês. Hoje temos a primeira resenha de uma action figure aqui no blog, demorou mas saiu! O personagem não tem relação direta com a literatura, mas como falo (e ainda vou falar muito) de ficção científica por aqui, aí vai:

E aí, gostaram? Antes de falar da figura em si, vamos refrescar a memória com algumas linhas sobre E.T., O Extraterrestre (E.T., The Extra-Terrestrial no original), filme de ficção científica do über famoso diretor americano Steven Spielberg, lançado em 1982. Vencedor de quatro Oscars no ano seguinte, incluindo o de melhor efeitos especiais, E.T. é centrado em um pequeno alienígena que, ao buscar espécies vegetais terráqueas para fins de pesquisa, acaba preso em nosso planeta e é protegido por um garoto de 10 anos da maldade e curiosidade humanas. Até hoje o filme figura na lista dos 40 mais bem sucedidos. Enfim: uma lenda!

Eu nem era nascida quando o filme esteve em cartaz nos cinemas (quantos anos cês me dão?) e, pra falar a verdade, não tinha assistido E.T. até ano passado! Dá pra acreditar? A verdade é que, quando criança, tinha muito medo do personagem, e não ousava me aventurar pela película. Mas o fato é que E.T., por sua simplicidade e doçura, veio a se tornar um dos meus filmes favoritos de todos os tempos.

Neste ano de 2012, E.T. completa 30 anos. E pelas comemorações do trigésimo aniversário da produção, a Neca lançou quatro action figures do nosso simpático [?] protagonista. Escolhi uma bem tradicional, batizada de Galactic Friend, e as outras vocês podem conferir aqui e aqui.

O que falar dessa peça rara? A Neca acertou em cheio. Essa é com certeza a série de action figures mais exata e detalhada já lançada do personagem, talvez a única que valha a pena ser adquirida. Tenho procurado por alguma no Amazon americano desde o início do ano, mas até mesmo as que me dispus a comprar não eram entregues aqui no Brasil. Bom, agora valeu a espera! Este aqui pode parecer bem maior nas fotos, mas possui 7″ (ou seja, quase 18 cm) com os bracinhos completamente levantados. Fiquem com outra vista do E.T.:

Como vocês podem ver, ele é perfeito. Vê-se nitidamente a fisionomia do personagem na figura, o que nenhum dos modelos anteriores, na minha opinião, havia alcançado. A pele da figura é intensamente texturizada, de forma que, ao passar os dedos por ela, se tem a sensação de uma pele de fato. Há articulações nos tornozelos, ombros, cotovelos, mãos, pescoço e cabeça, de forma que podemos posá-los de muitas maneiras diferentes. Um encanto! Mais uma vista do nosso amigo (reparem na cabeça):

Tudo tem uma parte ruim, que lei maldita é essa do universo? No caso dessa figura, são os acessórios. Muito fracos, exceto pelo pescoço mais longo, que vocês podem ver abaixo, à esquerda. Esse roupão é grosseiro e não fica nada atraente no personagem. E esse saquinho de pastilhas… não vou nem comentar, sabe? Mas enfim, valeu a intenção!

Enfim, me despeço por aqui, amigos e amigas. Caso você esteja se perguntando como ou onde eu adquiri meu E.T., foi aqui mesmo em Fortaleza, na Art & Toys Colecionáveis do shopping Avenida, única loja que já visitei no Ceará especializada em colecionáveis. Paguei infinitamente mais caro que o pessoal de fora? Sim. Mas pra quem já teve uma expectativa de importação direta mais do que frustrada com action figures… não tem preço. ;]

Resenha: Socrates in Love [mangá]

3 de julho de 2012

Autora: Kazumi Kazui (baseada no romance de Kyoichi Katayama)
Tradutor: Noritaka Minami
Letrista: Steve Dutro
Ano da publicação original: 2004
Língua original: Japonês
Título original:
Sekai no Chushin de Ai o Sakebu
Título no Brasil:
Socrates in Love – O Amor Sobrevive ao Tempo
Editora: VIZ Media
ISBN: 9781421501994 (13) 1421501996 (10)
166 páginas

Avaliação:

O mangá Socrates in Love é, na verdade, uma adaptação, e foi lançado no Brasil com o subtítulo de O Amor Sobrevive ao Tempo, pela JBC. A obra original é um romance de Kyoichi Katayama, o best-seller japonês mais vendido na história do país: Sekai no Chushin de Ai o Sakebu (no Brasil, Um Grito de Amor do Centro do Mundo; nos EUA, também Socrates in Love). Além do mangá, a narrativa já deu origem a uma série de TV, dois filmes, um anime e um musical, inclusive. Por isso, atenção, estamos falando de uma lenda da cultura pop japonesa!

Minha relação com este mangá é muito especial. Acreditem: foi o primeiro mangá que li, do começo ao fim, em toda minha vida. Poderia tê-lo lido em apenas um dia, a linguagem é simples e a história é instintivamente envolvente. Mas preferi deixar metade dele para um outro dia. Tenho uma regra pessoal ao ler qualquer coisa que seja: não terminar a leitura sem dormir uma noite antes. Faço isso para aprofundar laços com os personagens e criar memórias mais sólidas da obra.

Não é spoiler nenhum dizer que Aki Hirose, desde a primeira página da história, está morta. É um choque para o leitor, que ainda não criou nenhuma intimidade com as personagens, saber disso logo de cara. A partir de um encontro de Sakutaro Matsumoto, o protagonista, com os pais de Aki, que carregam as cinzas da moça numa pequena urna, as memórias do rapaz se desenrolam num flashback confessional que nos fará conhecer a bela história de amor do casal com detalhes. No fim, as duas pontas da história se unem, e descobrimos o que aconteceu com Sakutaro depois de tudo.

Quanto ao plot, Socrates in Love é um típico romance juvenil: garota conhece garoto no Ensino Médio, se apaixonam e iniciam um namoro. Mas ele é bem mais que isso, acreditem. O que mais me chamou atenção no mangá foi a proximidade entre o amor, a doença (Aki sofria de leucemia), a dor e a morte ao longo de todas as fases da história, e isso é feito das mais variadas formas. Por várias vezes fiquei me perguntando por que certos elementos tão mórbidos não ficavam deslocados numa história romântica clássica, extremamente humorística em muitos momentos. Alguns minutos depois, acho que obtive a resposta: porque essa é a realidade. Nossa vida tem felicidade, riso, morte e lágrimas, tudo junto. E ainda há quem diga que ela faz sentido, é ou não é?

A relação de Aki e Saku-Chan é de primeiro amor. E, como tal, é atrapalhada, imatura (especialmente por culpa dele, coitado, fico me perguntando se essa é umas razões pelas quais um mangá é considerado shoujo), inocente… Mas absolutamente verdadeira. Há vários momentos de felicidade e humor, e muitos de desespero, angústia e desolação. A arte de Kazumi Kazui, simples porém intensa, acerta em cheio na missão de nos fazer sentir tudo isso enquanto lemos seu Socrates in Love. Diz a autora no posfácio dessa edição americana que, ao desenhar as sequências finais da obra, não podia conter as lágrimas. E esta humilde blogueira também não, ao percorrer as últimas páginas do mangá (e até muito, muito tempo depois, na verdade!).

Não poderia ter tido um primeiro contato mais memorável com a arte dos quadrinhos japoneses. A força da obra original (que ainda não li por inteiro) provavelmente ajudou Kazumi Kazui a desenvolver tão bem seus traços, mas não há dúvidas quanto ao talento e sensibilidade da artista. Este é um mangá para aqueles que sabem o que é amar, ou que um dia souberam e querem se lembrar disso. É uma história não apenas sobre amor e morte mas, principalmente, imortalidade. Jamais vou esquecer Socrates in Love.

P.S.: Não sei quanto à edição brasileira da JBC, mas minha edição da VIZ Media contém o comecinho do romance de Kyoichi Katayama. E, pelo que li, vale muito a pena se aventurar pela narrativa original.

P.S.2.: Alguém pode estar se perguntando por que o título da obra é Socrates in Love. Descobri que Katayama teve essa ideia ao ler na obra O que é a Filosofia?, de Gilles Deleuze e Felix Guattari, a seguinte frase: “O amor é uma forma de violência que obriga as pessoas a pensarem.” Quanto à explicação do sentido dela no mangá… deixo para vocês.

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Resenha: The Hobbit (O Hobbit) [romance]

27 de junho de 2012

Autor: J.R.R. Tolkien
Ano da publicação original: 1937
Ilustrações: do autor
Título no Brasil: O Hobbit
Editora: Houghton Mifflin Harcourt
ISBN: 9780395071229
255 páginas

Avaliação: 

Atenção: Esta resenha será um pouco longa… Foi impossível, para mim, falar de um Tolkien em menos linhas. Farei o possível para ser breve e relevante!

Imagine que você é um sujeito pequeno, simpático e pacífico chamado Bilbo Bolseiro, e mora em uma bela toca sob uma colina verdinha, rodeado de flores. Tudo que você quer na vida é tranquilidade para apreciar seu cachimbo, fazer suas refeições regulares e descansar. Um belo dia, um mago de barba prateada e sobrancelhas espessas chamado Gandalf aparece na sua soleira, dizendo que te escolheu para uma aventura.

Você tenta dispensá-lo o mais rápido possível mas, no dia seguinte, quando deveria vir para um chá, ele manda 13 anões [!] pra sua toca antes de aparecer. E sem pedir nenhuma permissão! Depois que eles comem toda a sua comida (solicitando mais para o jantar e o café da manhã) e fazem festa na sua mesa, você fica sabendo que foi escalado para ajudá-los a se vingar de um dragão chamado Smaug, que roubara todo o ouro de seus antepassados, deixando a antiga cidade onde reinavam desolada. Não há nenhuma garantia de que você volte para sua amada terra, mas te prometem 1/14 do tesouro caso tudo dê certo.

E então, gostou? Eu me apaixonei de primeira. Essa é a premissa de The Hobbit or There and Back Again (O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez no Brasil, pela WMF), uma aventura que se passa na Terra Média de Tolkien antes dos acontecimentos da trilogia O Senhor dos Anéis e envolve, além do hobbit, dos anões e do dragão, trolls, goblins, elfos e humanos. É quando Bilbo rouba o Um Anel (na obra, chamado apenas de “anel mágico”) de Gollum e traça, sem querer, uma aventura sem limites para seu sobrinho Frodo Bolseiro mais tarde. Prepare a bagagem, pois a viagem até a Montanha Solitária é longa; e prepare também o fôlego: cada capítulo é uma aventura que quase poderia sustentar-se por si em  um belo conto de fantasia.

Ler The Hobbit foi uma experiência única pra mim. Acredito que uma boa tradução cause um efeito muito parecido no leitor, mas ter nas mãos o original, exatamente como foi concebido por Tolkien, é uma emoção que não posso descrever. É como se ele mesmo estivesse me contando a história, ao vivo, até porque o estilo do autor é esse mesmo: ele fala com @ leitor(a) constantemente, como se estivéssemos aos pés de sua poltrona. Ao ler, passeava pela Terra Média com Bilbo, os anões e os elfos, e sentia como se estivesse lá em sonho, assistindo ao sol nascer e se pôr, me afligindo, me emocionando e cansando meu grandes pés peludos ao percorrer o caminho da aventura.

Este foi meu primeiro Tolkien, e pude constatar que o que falam sobre suas descrições longas e detalhadas é a mais pura verdade. Mas, pelo menos N‘O Hobbit, a meu ver, isso não diminui o ritmo da obra de nenhuma forma, ao contrário: as descrições detalhadas, algumas vezes até poéticas, servem para balancear a narrativa. Se o romance fosse feito apenas de ação, momentos tensos e diálogos, que valor teria? Vejam um dos exemplos descritivos mais lindos do livro nessas linhas que falam sobre as folhas caídas na floresta de Mirkwood (com tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves):

A few leaves came rustling down to remind them that outside autumn was coming on. Their feet ruffled among the dead leaves of countless other autumns that drifted over the banks of the path from the deep red carpets of the forest. (p.129)

Algumas folhas caíam farfalhando para lembrá-los de que lá fora o outono se aproximava. Seus pés afundavam nas folhas mortas de outros incontáveis outonos, trazidas pelo vento dos espessos tapetes rubros da floresta para as margens da trilha.

Eu sei que não é muito interessante ficar procurando metáforas em toda obra de fantasia, mas pra mim foi impossível não pensar em Bilbo como o retrato de cada um de nós que busca o conforto na vida, se sente desolado quando esse conforto nos é arrancado mas, apesar disso, descobre na dor e na dificuldade que pode fazer muito, muito mais do que pensava ser capaz.

Os fãs de Tolkien mais informados já sabem que o diretor Peter Jackson vai dividir a versão cinematográfica do romance em duas partes, sendo que o primeiro filme, Uma Jornada Inesperada, sai em Dezembro deste ano. Estou me roendo de curiosidade para saber até onde ele vai. Não vou esconder de vocês que, na minha humilde opinião, a melhor metade do livro é a segunda! É nela que se concentra a ação final, é quando os humanos e elfos finalmente se juntam a Bilbo e os anões, é a parte dos diálogos mais notáveis, dos traços mais épicos, das decisões mais drásticas. Tudo isso, é certo, só vai estar no segundo filme; mas é bom lembrar que a primeira metade é absolutamente necessária para o desenvolvimento da obra.

E o que não poderia faltar numa história de fantasia épica, cheia de terras e povos fictícios, era um belo de um mapa, né não? Minha edição contêm dois, sendo esse o principal. Saía das páginas da história para consultá-lo sempre e me situar em meio à aventura.

Para finalizar, a ilustração favorita da minha edição (são todas do autor):

O que dizer mais? The Hobbit é um romance impecavelmente escrito, sensível, e, é claro, cheio de aventura. Um clássico obrigatório para os fãs de literatura de fantasia no mundo todo.

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Correio: The Time Traveler’s Wife chegou!

16 de junho de 2012

Olá, leitores e leitoras! Passando só pra contar que meu The Time Traveler’s Wife, da Audrey Niffenegger, acaba de chegar pelo Book Depository (bleh, novidade)!

No Brasil, o romance ganhou o título de A Mulher do Viajante no Tempo. Tudo que sei sobre ele até agora é que é uma história que mescla romance e ficção científica: o rapaz viaja no tempo enquanto a moça vive uma vida normal. E também que ele fez muita gente chorar… Foto básica do meu paperback da editora Vintage Books (a edição é bem bonita!):

A leitura está prevista para começar assim que eu terminar The Hobbit… aguardem resenha! ;]

Resenha: Sense and Sensibility [graphic novel]

8 de junho de 2012

Autora: Nancy Butler (baseada no romance de Jane Austen)
Desenhista: Sonny Liew
Colorista: SotoColor’s L. Molinar
Letrista: VC’s Joe Sabino
Introdução: Nancy Butler
Ano das publicações originais (5 volumes): 2010
Língua original: Inglês
Título no Brasil: –
Editora: Marvel
ISBN: 9780785148197
128 páginas

Avaliação:

Quando li uma das traduções brasileiras de Razão e Sensibilidade, em 2009, confesso que fiquei meio decepcionada. Esperava mais do meu segundo romance de Jane Austen. Eu havia acabado de ler Orgulho e Preconceito, perdendo o fôlego a cada capítulo, e a comparação com o desfecho morno de Razão foi inevitável.

Por isso, posso dizer a vocês que a leitura da graphic novel foi muito mais prazerosa pra mim do que a do romance. Por isso, sim, mas não só. A adaptação de Nancy Butler é extremamente fiel à obra, inclusive no nível da linguagem, que é muito elevado. Se você, infelizmente, não dominar o inglês formal muito bem, não conseguirá acompanhar a história.

Para quem ainda não conhece a obra, Sense and Sensibility se situa no início do século XIX e trata da relação de profundo amor e cumplicidade entre as irmãs inglesas Elinor e Marianne Dashwood. A primeira representa a razão (ou sense, no original): é prudente, contida e tem imenso temor em deixar transparecer os próprios sentimentos, sejam de alegria ou tristeza. Já Marianne, a mais jovem das duas, representa o sentimento e a sensibilidade (ou sensibility). Extremamente passional, ela explode de emoções à vista de tudo e todos, quase sem pensar. As duas parecem amar com a mesma força, porém.

O enredo e os dramas começam a tomar forma quando o meio-irmão destas, John Dashwood, priva-as da herança que lhes era destinada pelo falecido pai, persuadido pela esposa. O tema da impotência feminina diante de questões financeiras é recorrente no feminismo embrionário da autora.

Humilhadas, as três irmãs (Elinor, Marianne e Margaret, a caçula da família) e a mãe saem da mansão Norland, onde cresceram, e vão viver em um modesto e sombrio chalé em Devonshire, o qual precisam aprender a chamar de lar.

Elinor já chega à nova casa com um amor em mente, o jovem e tímido Edward Ferrars. Marianne, porém, que nunca julgava poder amar um homem na face da Terra, viverá seu primeiro amor. E ele não vai ser nada, nada fácil! Será também o último? Deixo a pergunta para meus leitores, caso queiram buscá-la.

Não é espanto nenhum que um romance austeninano termine com casamentos, muitas vezes inesperados, depois de inúmeras aflições e reviravoltas afetivas. Sense não é exceção. Mas agora vamos falar da adaptação em si.

Sinceramente, não tenho do que reclamar, e acho que @s fãs mais hardcore também não. A obra é lindamente desenhada, com traços sutis e figurinhas chibi (ou seja, no melhor estilo japonês pequeno e fofo) em certos momentos, a cor é delicada e foi aplicada conforme pediam os cenários. O grau de apelo sexual é ze-ro, como nos originais de Austen. Dá pra acreditar?!

Parabéns à Marvel, podem aplaudir de pé! Tudo que erraram na quadrinização de Pride and Prejudice (vejam uma pavorosa amostra aqui), acertaram nessa. Mas julgo que o melhor dos acertos foi ter colocado o malasiano Sonny Liew no comando da arte. Ele fez as belíssimas capas de Pride e, se tivesse feito também a arte interna, essa adaptação também me ganharia… Uma pena mesmo!

Vejam mais imagens da adaptação, com mais personagens:

Enfim, Sense and Sensibility da Marvel é uma adaptação rara, daquelas que podem conquistar nosso coração até mais do que a obra original. É uma pérola que merece ser apreciada não só pelos fãs de Jane Austen, mas por todo mundo que adora um bom romance, em bons quadrinhos.

P.S.: Minha versão é hardback, vejam fotos do livro real aqui.

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Correio: V for Vendetta, Socrates in Love e Sense and Sensibility chegaram!

17 de maio de 2012

Pois bem, voltei! Quem diria, tão cedo?! Acabei de engolir meu almoço, e antes de começar a trabalhar, separei um tempinho para mostrar a vocês minhas novas aquisições! Preparem-se para um post de correio recheado de novidades!

A desolação na minha caixa de correio foi compensada no domingo (sim, domingo…! e, sim, meu aniversário também!) quando recebi meu V for Vendetta (V de Vingança, no Brasil), da Titan Books, e o fofíssimo Socrates in Love (no Brasil, o mangá ganhou o subtítulo de O Amor Sobrevive ao Tempo), pela Viz Media. Dois quadrinhos extremamente diferentes tanto no estilo como no tema! Confiram:

Confissões sobre a edição de V: gostei. A capa é linda, com acabamento fosco e tudo. A única coisa que não gostei foi do corte das folhas inferiores, no pior estilo lixa: o gibi fica soltando pedacinhos brancos por onde o levo. O cheiro da tinta também é muito forte!

Socrates in Love é a adaptação de um best-seller japonês. Todas as resenhas que li foram unânimes em dizer que é uma história extremamente romântica e emocionante. Vamos ver! A Viz está de parabéns, a edição do mangá (que abre pela esquerda mesmo, como vocês podem ver) ficou perfeita e o formatinho compacto é uma graça! Descobri a versão brasileira desse shoujo (ou seja, mangá “para meninas”) no site da JBC, mas ele está esgotado em todas as livrarias e bancas por aqui. Não hesitei em pedir a versão americana, foi até bem mais barata! 

A surpresa de segunda foi a minha edição hardback de Sense and Sensibility, a graphic novel, pela Marvel (o romance original se chama Razão e Sensibilidade no Brasil). Isso mesmo, aquela dos super-heróis! E, wow! Querem saber? Hu-mi-lha-ram, simplesmente. Que trabalho sensacional! Não gostei nem pouco do traço de Pride and Prejudice deles, mas esse…! Já comecei a ler e estou encantada, por isso, aguardem resenha! Nunca vi uma adaptação tão delicada e irreverente (como a própria autora) de uma obra da Austen! Até onde sei, não há versão brasileira.

Só o que me deixou chateada foi o fato das pontinhas inferiores da capa da frente terem vindo muito amassadas. Ô, seu carteiro, cuidado aí com meu coração, faz favor! Acho que vou parar de comprar hardbacks por causa disso. Sempre amassam. =~

Por hoje é só. Até o próximo post!

P.S.: Tudo foi comprado pelo The Book Depository, como sempre. ;]