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Resenha: Rurouni Kenshin (Bandai, 2012) [figura de ação]

29 de março de 2013

Avaliação:

Olá, queridos e queridas! Hoje venho orgulhosamente trazer a terceira resenha de figuras de ação do blog! Ah, repararam que eu troquei action figure pelo termo em português? Só não vale chamar de “boneco”, tá, gente? Desrespeito e inadequação, isso!

Como quem acompanha o blog há um tempo já sabe, estou lendo e me apaixonando pela minha primeira série de mangá, Rurouni Kenshin (quem quiser ler minhas impressões sobre os três primeiros volumes japoneses da série, clica aqui). Já estou bem avançada na história, mas como achei que não fazia sentido fazer resenhas e mais resenhas cheias de spoilers apenas para comentar as reviravoltas do plot, esperem que eu termine e faça um vídeo (tão cansados dessas promessas, né?) com minhas singelas opiniões sobre a obra, ok?

Agora, vamos à figura! Uma prévia em close dessa verdadeira obra de arte pop:

A figura faz parte da série Figurarts ZERO, da japonesa Bandai, terceira maior fabricante de brinquedos do mundo (só perde para as gigantes Mattel e Hasbro). Quem aqui teve um Power Ranger que trocava de cabeça na hora de morfar?! Pois é, pois é, todos eram da Bandai. O termo “ZERO” se refere ao número de articulações das figuras: nenhum. São como estátuas, o que desmente um pouco a ideia de “figura de ação”. Mas com uma qualidade e capricho desses, quem liga pra poses?! Não tentem mexer nas suas, estejam de olho! Fiquei logo ansiosa para colocar uma provável Kaoru na lista de desejos e formar um casal (esse ganhei de presente de aniversário antecipado da minha mãe), mas infelizmente só encontrei o Shishio, seu arquiinimigo, que combinasse (que é feio pra cacete caramba e que eu não pretendo comprar, rs).

Não tenho quase nada a declarar sobre a figura que não seja sobre sua perfeição. É a figura por volta de 15cm mais exata e fluida de formas do personagem  que encontrei. O rostinho delicado como o do rurouni, o detalhe cuidadoso da cicatriz, os olhões brilhantes, a vestimenta “congelada” no momento da posição de ataque, o cabelo esvoaçante, a delicadeza das mãozinhas no punho da sakabatou… sem falar na qualidade da pintura e num lindo pedestal decorado com sakura que o acompanha (esse é fácil de arranhar, principalmente com os próprios pezinhos do Kenshin, mas ninguém vai ver mesmo!). Vistas principais da figura para vocês:

No mais, a figura ainda traz, como extra, um segundo rostinho para aqueles que preferirem encarar a fisionomia battousai do personagem. Mas isso, além da encantadora embalagem (que eu nunca vou jogar fora!) da figura, deixo para vocês confirirem nessa vídeo resenha incrível do canal figurekings no YouTube, caso tenham interesse:

A quem tiver interesse em adquirir o seu, deixo aqui o perfil da loja do Mercado Livre através da qual comprei o meu sem problemas.

Bom feriado a todos e todas. Abraços e até a próxima!

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Correio: A Series of Unfortunate Events chegou!

14 de março de 2013

Queridos e queridas, primeiro de tudo: que vergonha. Mas é muita mesmo!

Há mais de um mês que o blog se encontrava abandonado. Gostaria de pedir desculpas por isso, a todos que vêm aqui procurando por coisas novas. Peço que não interpretem isso como falta de interesse nesse meu projeto que idealizei e coloquei em prática com tanto carinho, mas sim como um efeito das mudanças muito difícieis que tenho sido obrigada a enfrentar na minha vida nos últimos meses e têm me deixado sem vontade pra absolutamente nada (inclusive lavar o cabelo…! Eca!).

Dito isso, tenho algo mais a falar: esse post de correio não deveria ser o próximo! Há meses, vocês devem imaginar, venho recebendo livros (nunca parei de comprá-los!). Pensei em fazer um vídeo mostrando as coisas que chegaram e estavam na fila, acabei não gostando dos meus projetos; comecei um post, ainda não o terminei. Fico devendo tudo para breve, ok? Vamos ao que vim mostrar hoje! ;]

Acabo de receber o meu tão sonhado box de A Series of Unfortunate Events (no Brasil, Desventuras em Série, pela Cia. das Letras), do americano Lemony Snicket (ou, “de verdade”, Daniel Handler, como muitos e muitas já devem saber). Descobri há pouco tempo o estilo peculiar, para dizer o mínimo, de Snicket, e imediatamente me veio a vontade de ler essa série infanto-juvenil. Ele não nos esconde que a história de 13 volumes começa mal, continua mal e termina da mesma forma; pelo contrário. Só cresceu minha vontade de se juntar aos protagonistas da história, os órfaõs Baudelaire. Duas vistas do belo box de hardbacks da HarperCollins:

Os livros, individualmente, são muito lindos, bem cuidados, além de levinhos. As ilustrações (inclusive essa que vocês veem acima, na parte de trás do box) são do artista Brett Helquist, e combinam muito bem com o feeling da série. As arestas das páginas são cortadas à moda vintage, o que se chama, em inglês, de deckled edges, um charme à parte que muita gente já confundiu com defeito please don’t! Confiram:

Mas o mais interessante e genial que tenho a contar sobre a coleção até agora é a descrição dela nos sites em que é vendida, imitando o estilo ácido e humorístico de Snicket. Quem sabe não tem dedo dele nisso? Preparei uma tradução bem livre pra vocês se divertirem:

Some boxes should never be opened. For the first time, the complete A Series of Unfortunate Events – including the highly feared #13: The End – is available in one awful package! We can’t keep you from succumbing to this international bestselling phenomenon, but we can hide all thirteen books in a huge, elaborately illustrated, shrink-wrapped box, perfect for filling an empty shelf or deep hole. From The Bad Beginning to The End, this box set, adorned with Brett Helquist art from front to back, is the only choice for people who simply cannot get enough of a bad thing!

Algumas caixas nunca deveriam ser abertas. Pela primeira vez, por completo, Desventuras em Série – incluindo o altamente temido volume 13: O Fim – está disponível num pacote horrível! Não podemos evitar que você se renda a esse fenômeno de vendas internacional, mas podemos esconder todos os treze livros numa caixa enorme, cuidadosamente ilustrada e compacta, pefeita para preencher uma prateleira vazia ou um buraco fundo. De Mau Começo até O Fim, este box, adornado com a arte de Brett Helquist do início ao fim, é a única escolha para aqueles que simplesmente não se cansam de uma coisa má!

E então, fico por aqui?! Ainda não!

Notícia extra nº 1!: Finalmente estou no último livro da última parte de The Lord of the Rings. É quase um sonho realizado, posso dizer. Pensando seriamente em fazer um grande post (ou talvez vídeo) contando da minha experiência em geral com a obra. Já estou providenciando [!] toda a trilogia cinematográfica em versão estendida pra assistir durante uma semana seguida. Com muita pipoca com manteiga! ❤

Notícia extra nº 2!: O blog agora tem um Tumblr! Pra quem quiser espiar como anda minha vida de leitora e compradora de livros num ritmo mais rápido e de uma forma mais artística do que aqui, sinta-se à vontade para seguir-nos. Postarei descrições em português e inglês, pra ninguém chorar. Ei-lo.

Obs.: Quem se interessou pelo box mas não domina o inglês pode adquirir a versão brasileira da coleção, muito digna, aqui.

Até a próxima!

Impressões sobre o e-reader Kindle, do Amazon

27 de janeiro de 2013

E eis que estou eu, muito envergonhada por não atualizar meu blog desde o finzinho do ano passado, trazendo procês algumas observações esparsas que fiz ao usar, por pouco mais de um fim de semana, o e-reader Kindle em sua primeira versão brasileira. Desde algum tempo tenho tido curiosidade de vivenciar experiências de leitura com um e-reader, e até semana passada estava certa de que compraria o Kobo, à venda na Livraria Cultura aqui no Brasil. Como fui à loja daqui de Fortaleza e passei um tempinho brincando com esse último, vou fazer algumas observações pra vocês.

Não simpatizei muito com o Kobo touch, não, apesar de achar algumas vantagens no aparelho. Mas o que mais me incomodou, à primeira vista, foram duas coisas:

1. O “sujinho” deixado pelas páginas anteriores na tela de e-ink.

É hor-rí-vel, deu até vergonha! Como alguém consegue ler com aqueles fantasminhas das páginas anteriores incovenientemente espalhados pela atual? Deveria ter tirado uma foto. Como meu digníssimo namorado muito bem pontuou, pode haver, sim, quem não se incomode e prefira economizar bateria pra não ficar limpando a tela a cada página. Eu não conseguiria, definitivamente. Tem como reverter isso nas configurações, mas a configuração padrão me deixou escandalizada, de início.

2. Os pixels aparentes nas bordas das letrinhas.

Esse negócio de “lê como no papel” é mentira, tá? Não tem luminosidade na tela, realmente, mas a tecnologia do e-reader ainda não conseguiu imitar letras impressas com perfeição. Se você aproximar o livro dos olhos, vai ver os pixels. Pode ser óbvio, normal e inevitável, mas me incomodou. Esperava uma “maquiagem” melhor, especialmente no Kobo.

Agora, vamos ao Kindle, de que eu mais gostei. ;]

Aqui na foto vocês veem a capa de um dos e-books mais lindos e bem cuidados que já visualizei, que é a edição do centésimo aniversário de The Secret Garden, pela Harper Collins. É baratinho e, se decidir mesmo pelo Kindle, será um dos primeiros livros que vou comprar. Aliás, esta é uma das minhas grandes críticas às editoras (sim, estou falando de grandes editoras) que formatam seus livros para vender em formato digital: fazem porcalhadas. Muitas e muitas vezes.

Imagens com baixa resolução, distorcidas, diagramação sofrível: tudo que não vemos em seus livros físicos perfeitinhos caem na versão digital. Não consegui entender bem a razão disso. Um dos exemplos mais risíveis que encontrei é essa coleção do Lemony Snicket que tanto queria, e deveria ter sido bem melhor tratada. Cliquem em “Click to look inside” (ainda bem que existe isso no Amazon americano, mas no brasileiro podemos pedir amostras) e deem uma olhada na capa, em algumas ilustrações. É pressa pra produzir o material? Eu acho que uma cópia digital merece ser levada tão a sério quanto uma física. Essa é uma grande desvantagem pra mim. Precisamos garimpar bastante para achar livros formatados com qualidade para comprar e ler no Kindle. Logo mais abaixo vocês podem ver o primeiro conto de Fábulas Chinesas, da nossa L&PM, muito bem cuidado. E o preço é um mimo.

No mais, achei que os dois “defeitos” do Kobo que citei acima são suavizados no Kindle a ponto de quase desaparecerem. Pra mim, a tela do último é muito mais nítida e permite uma simulação mais próxima do papel, e fiquei com a impressão de que tem como disfarçar melhor os pixels. O Kindle não vem configurado para que vejamos “fantasminhas” das páginas anteriores, e nem é para nós possível que os vejamos, ainda que queiramos economizar nossa bateria de cada dia. A tela se “limpa” de maneira bem satisfatória a cada página, embora ainda fiquem alguns resquícios algumas vezes.

Não poderia deixar de falar aqui da questão dos quadrinhos. O Kobo e o Kindle leem quadrinhos, sim (embora o Kindle tenha uma menor aceitabilidade de formatos, dê uma pesquisada), mas essa é uma experiência que eu não recomendo, especialmente aos fãs mais hardcore. A tela é pequena, os traços ficam bastante pixelados e nos perdemos muito do caminho da arte final do autor ou autora. Baixei uma amostra do mangá The 14th Dalai Lama, de Tetsu Sawai (ô lindeza!) para ver no que dava. Vejam:

A capa não existe (tenho percebido isso muitas vezes, a capa é simplesmente ignorada e começam o livro das primeiras páginas). Não vai dar pra enxergar a arte pixelada, mas com certeza dá pra ver que os quadros não centralizam na tela, e que o último tem os traços das bordas esquerda e inferior apagados. Ou seja: porcalhadas, coisas feitas sem cuidado, que nem um escaneamento de amadores. Acho que o mangá deveria ter todo sido reorganizado, mas parece que isso dá muito trabalho pro gosto da Penguin Books, não é? Comprarei a cópia física, que é praticamente do mesmo preço.

Enfim, pesem ainda toda a vantagem de armazenagem de milhares de livros, a leveza e portabilidade do aparelho etc. Sem dúvida alguma sou a favor das cópias digitais, mas quando levadas a sério e cuidadas pelas editoras de forma equivalente às físicas. Enquanto isso não acontecer, vou continuar torcendo o nariz com certa desconfiança para algumas leituras digitais.

Espero que o post tenha sido útil e/ou interessante. Volto em breve com novidades. Até!

Comprar o Kindle (estava indisponível no momento da publicação deste post): Ponto Frio

Top 3 de 2012 e expectativas para 2013

27 de dezembro de 2012

Olá, queridos e queridas! Fim de ano, todo mundo de férias (menos eu e meus colegas das federais pelo Brasil, estamos ajudando nossa classe docente e calendário a se recuperar dos prejuízos da última greve, e ganhei um mero recesso), raros comentários aqui no blog… Mas mesmo assim, não poderia deixar de passar aqui ainda antes do fim do ano para dizer a meus leitores e leitoras que espero que o Natal tenha sido bom, e que o Ano Novo traga só alegrias e esperanças (também literárias!).

2012 foi um ano notável para mim e minha relação com os livros mudou para sempre. Decidi adquirir um hábito de leitura constante, começar a conhecer o universo dos quadrinhos alternativos e autobiográficos e criar um blog para relatar tudo isso. Aqui estamos! E já que a linha do blog fica entre clássicos – fantasia – quadrinhos, decidi eleger uma obra em cada categoria para ganhar meu “troféu” de leituras do ano . Não foi muito difícil, já que meu ritmo de leitura não é lá dos mais vorazes… ainda.

E então, vamos lá?

* * *

Melhor clássicoBlack Beauty (Beleza Negra), Anna Sewell

O doce romance de Sewell já está no meu hall de leituras inesquecíveis. A autobiografia do inocente cavalo Black Beauty, além de sensivelmente construída e recheada de episódios cruéis e inspiradores, me fez repensar a própria maneira de encarar as adversidades. Lembro de ter lido os parágrafos finais em casa, só, e por isso mesmo o fiz em voz alta. Não pude segurar as lágrimas…!

Leia a minha resenha aqui

* * *

Melhor fantasiaThe Fellowship of the Ring (A Sociedade do Anel, J.R.R. Tolkien

Essa já era de se esperar, afinal, creio que são poucas as leituras de fantasia que podem bater um clássico tão absoluto no gênero quanto The Lord of the Rings ). Em 2012 li a primeira parte da obra, e já estou na metade da segunda. Descrições detalhadas que quase nos fazem enxergar as paisagens, personagens notáveis, canções adoráveis (que nos aparecem como poemas, obviamente), diálogos marcantes e lições nem um pouco dispensáveis. Esse foi meu segundo Tolkien (depois de O Hobbit). Valeu a pena adentrar de cabeça o universo que tanto me chamou atenção há alguns anos.

Leia a minha resenha aqui

* * *

Melhor quadrinhoGen Pés Descalços v.1, Keiji Nakazawa

Nesse primeiro ano, tive ainda muito pouco contato com os grandes clássicos dos quadrinhos, mas o primeiro volume do mangá Gen, minha última leitura finalizada do ano, me marcou de uma forma irreversível, principalmente por ser uma história autobiográfica sobre os horrores da bomba de Hiroshima. O artista viveu praticamente tudo que desenhou e narrou, o que confere uma força imensa à obra. O estilo simples e tocante de Nakazawa (que faleceu há somente 8 dias) conquistou adeptos para a paz mundo afora, em mais 10 milhões de cópias, e eu sou uma das mais novas entusiastas do grupo.

Leia a minha resenha aqui

* * *

Enfim, o blog se despede de 2012 com sensação de dever cumprido e muitas expectativas para o ano que vem. Obrigada a todos e todas, e que possamos continuar  unidos por nosso amor pelos livros.

Até ano que vem! ;]

Resenha: Gen Pés Descalços v.1 [mangá]

23 de dezembro de 2012

Autor: Keiji Nakazawa
Tradutora: Drik Sada
Letrista: Evandro Pimentel
Introdução: Art Spiegelman
Anos das publicações originais (10 volumes): 1973-86
Língua original: Japonês
Título original:
Hadashi no Gen
Editora: Conrad
ISBN: 9788576164470
280 páginas

Avaliação:

Obs.: Somente hoje, dia 25 de dezembro, dois dias depois da publicação desta resenha, é que foi noticiada a morte de Nakazawa por sua família, que aconteceu na última quarta, dia 19, em Hiroshima. Nada mais justo do que ter prestado aqui minha singela homenagem a este lendário mangaká e sua belíssima obra, que viveu os horrores da bomba atômica na vida e deu forma a eles na arte, deixando para aqueles que ainda não a conhecem minhas impressões e recomendação.

A primeira vez que ouvi falar de Gen, e disso eu me lembro muito bem, foi quando cursava o terceiro ano do ensino médio. Num livro de História, num capítulo sobre o Japão na Segunda Guerra, lá estava uma capa do mangá, junto com uma notinha de indicação de leitura. Infelizmente, minha voracidade artístico-literária era quase nula: não busquei a obra imediatamente. Só agora, há alguns meses, ao saber do relançamento da série por completo (assim esperamos, Dona Conrad!), em nova tradução, é que decidi lê-la. O resultado? O primeiro volume de Gen foi uma das minhas melhores leituras do ano.

Clássico absoluto do mangá, Gen Pés Descalços é uma história autobiográfica que acompanha a jornada do herói-garoto Gen Nakaoka e de sua família ao longo dos tão dolorosos caminhos diários do fim da Segunda Guerra no Japão, mais especificamente em Hiroshima. O ápice do primeiro volume, O nascimento de Gen, o trigo verde*, é o lançamento da bomba atômica de urânio Little Boy pelos Estados Unidos sobre a cidade em agosto de 1945, causando uma explosão devastadora e transformando tudo ao seu alcance em peças de um inferno dantesco.

Com seu traço simples e despretensioso, muitas vezes classificado como “feio”, Nakazawa nos tranforma em íntimos da família Nakaoka, especialmente de Gen, que ainda é uma criança tentando entender todo o sofrimento pelo qual está passando. Ainda assim, ele se supera a cada dia com o intuito amenizar a situação da família e das pessoas que cruzam seu caminho.

Toda a história é um desenrolar infindável (quase sempre torturante!) de dores e humilhações suportadas todos os dias pelos honestos Nakaoka: passam fome por causa do racionamento de comida e são violentamente repudiados por toda a vizinhança e pelo Estado porque o Sr. Nakaoka, patriarca, é um pacifista (ser anti-guerra, naquele tempo, significava para a maioria ser anti-patriota, alcunha usada para desprezar aqueles que eram contra os conflitos pelos que acreditavam no poder da guerra como libertação do império). Além disso, há a ameaça constante dos ataques aéreos americanos. Lágrimas nos olhos, suor na pele e interjeições de dor são uma constante na arte de Gen.

Durante os dias de dezembro que passei com o primeiro volume de Gen, pouca coisa mais me importava além de contemplar o sofrimento dos personagens e partilhar disso até onde era possível para alguém que nunca viveu a guerra. Foi uma leitura realmente prazerosa e, em dado momento, até me sentindo culpada, parei para pensar no fato de algo tão triste me prender de forma tão intensa. Foi Art Spiegelman, autor de Maus, que me esclareceu isso em sua introdução. Ele diz: “…a exposição aos parâmetros de referência de outra cultura, e a identificação e a simpatia que os leitores desenvolvem com os protagonistas e a própria natureza da narrativa são prazeres intrínsecos”.

Num momento em que estou tão estreitamente ligada à história envolvida com os lançamentos das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki (vou apresentar um seminário sobre o tema na universidade em janeiro), Gen me veio como um presente, para me contar de forma sensível mas não menos aterrorizante sobre desastres em que a ciência e o poder imperaram sobre a humanidade de uma forma nunca antes imaginada, e que não podemos esquecer para que não se repita.

P.S. (25/12): Que o mestre Nakazawa vá em paz. A missão dele foi e continuará sendo cumprida.

* O simbolismo do trigo é algo muito poético em Gen. O sentido dele, deixo para os mais curiosos conhecerem por si.

Comprar: Estante Virtual (garimpem na busca, por favor) | Livraria Cultura

Etc: Sobre o primeiro aniversário do blog (e outras coisinhas mais…)

18 de dezembro de 2012

Olá, leitores e leitoras querid@s! Er… ou seria melhor dizer: tem alguém aí? ;/

Antes de qualquer coisa: não é com muita alegria que venho informar a vocês que meu blog faz, hoje (e só vim a essa hora da noite, vejam bem), um aninho. Isso porque tenho plena consciência do abandono em que ele se encontra…

Estou com vários livros novos atrasados para mostrar (até tentei fazer um vídeo para que vocês me vissem de verdade, hihi), e finalmente hoje terminei mais uma grande leitura (já estou preparando uma resenha detalhada para vocês!), mas as coisas não estão caminhando exatamente no passo que eu gostaria na minha vida. E isso tá me deixando meio atrapalhada.

Mas assim mesmo, não poderia passar em branco esse dia. Obrigada a todos e todas que visitaram meu blog, comentaram (ou só olharam mesmo, encontrando algo de útil ou interessante nele), e de alguma forma estão fazendo parte dessa minha construção como leitora.

A tod@s @s bibliófil@s que me “ouvem” na blogosfera, meu mais sincero agradecimento.

P.S.: Prometo voltar antes do Natal com novidades. ;]

Correio: Tales from 1.001 Nights e Fairy Tales chegaram!

6 de novembro de 2012

Pois é, amig@s, vim mostrar mais livros que chegaram pra mim recentemente (dessa vez, um dos EUA, pelo Amazon; e outro da Inglaterra, pelo Book Depository, que demorou séculos a mais). Eles chegaram há um tempão, mas só agora encontrei coragem para vir mostrá-los (nem me perguntem o que está acontecendo na minha vida, por favor, rs!)

Trata-se de dois volumes da coleção de clássicos clothbound (ou seja, com capa revestida de tecido) da Penguin: Tales from 1.001 Nights (uma coletânea com alguns contos da coleção completa, que é um verdadeiro sonho!) e Fairy Tales, de Hans Christian Andersen.

Olhando assim, parecem lindões e perfeitos, né verdade? Pensei até mesmo em comprar muitos outros títulos da coleção. Além disso, a tradução dos Contos de Fada foi muito elogiada, por captar de forma única o espírito dos originais dinamarqueses. Mas o problema mesmo está é no material das edições. Estão vendo essas aplicações serigráficas sobre o tecido? Não resistem ao toque. Desmancham nos nossos dedos como tinta fresca! Fico toda pintada de azul/rosa só de segurá-los. Enfim, uma decepção!

Não sei se os outros títulos da coleção, os de formato menor, sofrem do mesmo problema. Acredito que esse foi um vacilo imperdoável da editora que conhecemos como a mais classuda das galáxias, e acho difícil que não seja corrigido.

Apesar disso, os miolos são leves e a diagramação é linda. Fazer o quê, né? Vou ter que ler de luvas, ou coisa parecida. Fiquem de olho.

Até a próxima! ;]