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Resenha: A Little Princess (A Princesinha) [romance]

7 de fevereiro de 2014

Desde adolescente, depois de conhecer a versão cinematográfica de O Jardim Secreto, era uma curiosa acerca da obra da inglesa Frances Hodgson Burnett. Na época, lembro que procurei, com os meios que podia, o livro em que o longa se baseou, sem sucesso. Parece que todos estavam esgotados, e como eu só lia em português, esqueci a ideia por um tempo. Somente no fim do ano passado é que me resolvi a comprar, nessa edição retrô do selo Harper Trophy, da HarperCollins, as duas obras mais conhecidas da autora: além de O Jardim Secreto (próxima resenha aqui do blog), também A Princesinha.

 O romance, cujo enredo foi inicialmente concebido numa peça da autora, narra uma etapa substancial da infância de Sara Crewe, filha de um jovem oficial viúvo. Ela havia nascido na Índia (país-tema recorrente na obra de Burnett) e nunca se separara do pai, mas agora se via obrigada a deixar sua companhia para viver no internato de Miss Minchin numa nevoenta Londres, lugar que não lhe parecia muito acolhedor, embora, por ser rica e elegante, recebesse tratamento especial. Inteligente, criativa e doce no limite do inverossímil, Sara se torna a aluna mais popular do internato, acolhendo em sua companhia meninas mais vulneráveis, até mesmo a criada da casa, Becky. O amor pelos livros e o talento para contar histórias faz de Sara uma atração.

Anos depois, no seu luxuoso aniversário de onze anos, preparado a mando do pai, Sara recebe uma carta através da qual fica sabendo que ele havia falecido sem deixar nada da antiga fortuna. A partir de então, Miss Minchin, revoltada com tamanho prejuízo, decide escravizar a mocinha para tentar recuperar o que havia perdido. As provações de Sara, outrora praticamente uma princesa, que passa então a dividir o horrendo sótão da casa com Becky, se sucedem uma a uma, cada qual mais amarga e cruel:

…ela havia sido privada de seu jantar, pois Miss Minchen havia decidido puni-la. (…) de dez em quando alguém gentil que passava por ela na rua a olhava com repentina compaixão. Mas ela não se apercebia disso. Ela seguia apressada, tentando fazer com que sua mente se centrasse em outra coisa. Era realmente muito necessário. (pp. 200 – 201, tradução minha)

Arte de Tasha Tudor

O plot que cumpre o percurso cíclico felicidade – miséria – felicidade me fez associar o romance ao clássico europeu da Cinderela de imediato. Acho que não é spoiler nenhum declarar que Sara Crewe tem, sim, seu desfecho de princesa que sempre fez de conta ser. Ninguém buscaria se surpreender muito ao ler uma obra de Burnett (será?). A linguagem é bastante simples, açucarada ao extremo em alguns momentos, culminando com frequência em explosões kitsch sentimentaloides (o que não chegou a me incomodar, visto que eu já previa o uso desse tipo de recurso).

Terminei o livro com a conclusão de que, comigo, ele só funcionaria antes que eu chegasse a uma certa idade, e de eu que eu já a havia ultrapassado há algum tempo. Ainda assim, achei a leitura bastante divertida. O que buscamos em A Princesinha é conforto, imagino; aquecer o coração com uma história clássica onde os bons serão recompensados e, os vilões, castigados. E isso Burnett sabe exatamente como nos oferecer.

Autora: Frances Hodgson Burnett
Introdução: Phyllis McGinley
Ano da publicação original: 1905
Ilustrações: Tasha Tudor
Título no Brasil: A Princesinha
Editora: HarperCollins
ISBN 13: 9780007203543 ISBN 10: 0007203543
324 páginas

Avaliação: 

Comprar: Book Depository

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5 Comentários leave one →
  1. 5 de março de 2014 12:58

    Jéssica, não lembro a idade que tinha quando vi o filme “Jardim Secreto”, e ontem mesmo vi a edição da Penguim Companhia na livraria…parece ser um livro reconfortante 😉 espero sua resenha.

    Essa também é bem fofinho ❤

    beijo grande,

  2. 19 de fevereiro de 2014 15:38

    Gente! Será que o WP comeu meu comentário?

    Eu dizia que não li nada da autora, mas que fazia parte do time que assistiu ao filme – d’O Jardim Secreto – na Sessão da Tarde e tinha ficado louco para ler. A biblioteca da escola onde estudava tinha uma edição, mas alguém a emprestara e não devolvera….Acredito que, neste livro, a autora tenha feito algo que Dickens fazia com frequência, que era com que seus protagonistas sofressem, e muito, para terem uma redenção no final. Talvez esse seja um recurso da época, para fazer com que os leitores suspirassem, e acredito que ainda funciona.

    Linda a edição, pena que dificilmente a autora será republicada por aqui.

    • 19 de fevereiro de 2014 20:59

      Como assim, comeu seu comentário, Luciano? Absurdo essa dieta do WP! rs

      Sim, eu também fiquei muito interessada na autora a partir da experiência com o filme O Jardim Secreto, e gostei bem mais do romance de mesmo título.

      Realmente essa era uma tendência dos plots da época, daí a comparação com Cinderela.

      Pra mim não funcionou, acho que eu criei uma certa defesa contra histórias assim, tão moldadas rs Mas achei O Jardim Secreto bem diferente, vou resenhá-lo em breve.

      Um grande abraço! 😉

  3. 7 de fevereiro de 2014 21:11

    Burnett escreve magnificamente bem. Mas nenhum livro dela bate o The Secret Garden, meu livro amado – junto com o filme e a trilha sonora.
    Essa sua edição é perfeita! oO
    Amo seu blog – já te disse isso?
    Continue postando, viu? Venho aqui sempre ver se tem coisa nova. =D

    • 7 de fevereiro de 2014 21:18

      João, ela realmente é perfeita no que se propôs a narrar. 🙂

      Gostei muito mais d’O Jardim Secreto, e você vai ver por quê, na próxima resenha.

      Obrigada pelo carinho, sempre. Abraços.

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