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Impressões sobre o e-reader Kindle, do Amazon

27 de janeiro de 2013

E eis que estou eu, muito envergonhada por não atualizar meu blog desde o finzinho do ano passado, trazendo procês algumas observações esparsas que fiz ao usar, por pouco mais de um fim de semana, o e-reader Kindle em sua primeira versão brasileira. Desde algum tempo tenho tido curiosidade de vivenciar experiências de leitura com um e-reader, e até semana passada estava certa de que compraria o Kobo, à venda na Livraria Cultura aqui no Brasil. Como fui à loja daqui de Fortaleza e passei um tempinho brincando com esse último, vou fazer algumas observações pra vocês.

Não simpatizei muito com o Kobo touch, não, apesar de achar algumas vantagens no aparelho. Mas o que mais me incomodou, à primeira vista, foram duas coisas:

1. O “sujinho” deixado pelas páginas anteriores na tela de e-ink.

É hor-rí-vel, deu até vergonha! Como alguém consegue ler com aqueles fantasminhas das páginas anteriores incovenientemente espalhados pela atual? Deveria ter tirado uma foto. Como meu digníssimo namorado muito bem pontuou, pode haver, sim, quem não se incomode e prefira economizar bateria pra não ficar limpando a tela a cada página. Eu não conseguiria, definitivamente. Tem como reverter isso nas configurações, mas a configuração padrão me deixou escandalizada, de início.

2. Os pixels aparentes nas bordas das letrinhas.

Esse negócio de “lê como no papel” é mentira, tá? Não tem luminosidade na tela, realmente, mas a tecnologia do e-reader ainda não conseguiu imitar letras impressas com perfeição. Se você aproximar o livro dos olhos, vai ver os pixels. Pode ser óbvio, normal e inevitável, mas me incomodou. Esperava uma “maquiagem” melhor, especialmente no Kobo.

Agora, vamos ao Kindle, de que eu mais gostei. ;]

Aqui na foto vocês veem a capa de um dos e-books mais lindos e bem cuidados que já visualizei, que é a edição do centésimo aniversário de The Secret Garden, pela Harper Collins. É baratinho e, se decidir mesmo pelo Kindle, será um dos primeiros livros que vou comprar. Aliás, esta é uma das minhas grandes críticas às editoras (sim, estou falando de grandes editoras) que formatam seus livros para vender em formato digital: fazem porcalhadas. Muitas e muitas vezes.

Imagens com baixa resolução, distorcidas, diagramação sofrível: tudo que não vemos em seus livros físicos perfeitinhos caem na versão digital. Não consegui entender bem a razão disso. Um dos exemplos mais risíveis que encontrei é essa coleção do Lemony Snicket que tanto queria, e deveria ter sido bem melhor tratada. Cliquem em “Click to look inside” (ainda bem que existe isso no Amazon americano, mas no brasileiro podemos pedir amostras) e deem uma olhada na capa, em algumas ilustrações. É pressa pra produzir o material? Eu acho que uma cópia digital merece ser levada tão a sério quanto uma física. Essa é uma grande desvantagem pra mim. Precisamos garimpar bastante para achar livros formatados com qualidade para comprar e ler no Kindle. Logo mais abaixo vocês podem ver o primeiro conto de Fábulas Chinesas, da nossa L&PM, muito bem cuidado. E o preço é um mimo.

No mais, achei que os dois “defeitos” do Kobo que citei acima são suavizados no Kindle a ponto de quase desaparecerem. Pra mim, a tela do último é muito mais nítida e permite uma simulação mais próxima do papel, e fiquei com a impressão de que tem como disfarçar melhor os pixels. O Kindle não vem configurado para que vejamos “fantasminhas” das páginas anteriores, e nem é para nós possível que os vejamos, ainda que queiramos economizar nossa bateria de cada dia. A tela se “limpa” de maneira bem satisfatória a cada página, embora ainda fiquem alguns resquícios algumas vezes.

Não poderia deixar de falar aqui da questão dos quadrinhos. O Kobo e o Kindle leem quadrinhos, sim (embora o Kindle tenha uma menor aceitabilidade de formatos, dê uma pesquisada), mas essa é uma experiência que eu não recomendo, especialmente aos fãs mais hardcore. A tela é pequena, os traços ficam bastante pixelados e nos perdemos muito do caminho da arte final do autor ou autora. Baixei uma amostra do mangá The 14th Dalai Lama, de Tetsu Sawai (ô lindeza!) para ver no que dava. Vejam:

A capa não existe (tenho percebido isso muitas vezes, a capa é simplesmente ignorada e começam o livro das primeiras páginas). Não vai dar pra enxergar a arte pixelada, mas com certeza dá pra ver que os quadros não centralizam na tela, e que o último tem os traços das bordas esquerda e inferior apagados. Ou seja: porcalhadas, coisas feitas sem cuidado, que nem um escaneamento de amadores. Acho que o mangá deveria ter todo sido reorganizado, mas parece que isso dá muito trabalho pro gosto da Penguin Books, não é? Comprarei a cópia física, que é praticamente do mesmo preço.

Enfim, pesem ainda toda a vantagem de armazenagem de milhares de livros, a leveza e portabilidade do aparelho etc. Sem dúvida alguma sou a favor das cópias digitais, mas quando levadas a sério e cuidadas pelas editoras de forma equivalente às físicas. Enquanto isso não acontecer, vou continuar torcendo o nariz com certa desconfiança para algumas leituras digitais.

Espero que o post tenha sido útil e/ou interessante. Volto em breve com novidades. Até!

Comprar o Kindle (estava indisponível no momento da publicação deste post): Ponto Frio

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10 Comentários leave one →
  1. 26 de fevereiro de 2013 13:21

    Jéssica, já era para ter voltado aqui, mas enfim, cá estou eu!

    Ganhei um Kobo Glo de aniversário, de surpresa, então nem tive que continuar ponderando muito qual modelo acabaria comprando.

    Eu estou gostando, mas desisti completamente de quadrinhos e pdf, não tenho paciência para lê-los daquele jeito, quem sabe um dia, mas agora não dá. Me adaptei bem, a tela é muito agradável de ler, mesmo com a Comfort Light desligada – e ela me pareceu até mesmo um pouco supérflua.

    Eu fiz um post sobre, depois dá uma olhada 😉 http://www.pontolivro.com/2013/02/sobre-o-kobo-primeiras-impressoes.html

    • 27 de fevereiro de 2013 13:07

      Seja sempre bem-vindo, querido! rs

      Vou agora mesmo, correndo, ler seu post! Que bom que gostou do Kobo, quem sabe um dia minha ideia sobre ele mude?

      Abraço e volte sempre. ;]

  2. 13 de fevereiro de 2013 14:22

    Jéssica, achei que já tinha comentado esse seu post. Eu tenho um kindle já há um tempinho, até falei sobre ele lá no blog, e estou bem satisfeita (o meu é igual a esse da sua foto, na cor cinza). O meu abre pdf, mas realmente é péssimo ler pdfs em e-readers e eu prefiro essa versão sem touch mesmo, acho que o touch deixa o aparelho muito mais delicado de cuidar e dá muita raiva quando não funciona direito. Como você falou, ainda há muita coisa a se fazer nos e-readers para que melhorem, mas estou achando ótimo para livros que não quero comprar ou guardar. E aí, acabou comprando? =)
    Beijo!

    • 19 de fevereiro de 2013 20:19

      Ainda não comprei, Lua, continuo tendo peninha do meu dinheiro (acho que o aparelho deveria ser muito mais barato).

      Mas minha principal queixa nem é contra os aparelhos em si, e sim contra os e-books que saem por aí.

      Sério, parecem piada, você não acha? Coisas publicadas e vendidas com etiqueta invisível de “ah, é digital, vai assim mesmo”. Se as editoras demonstrassem mais cuidado com seus e-books, talvez estivesse mais animada… mas assim como tá, prefiro continuar comprando meus livros físicos.

      Beijo grande.

  3. 27 de janeiro de 2013 23:25

    Jéssica, eu tenho tantas dúvidas quanto aos e-readers que vou esperar alguém ter uma boa experiência com um deles pra decidir se compro e, aí sim, qual deles. É aquela coisa, sou das antigas e, acredito, estes leitores fazem muito mais sentido pra quem lê costumeiramente em inglês.

    Vamos ver, com o tempo, como cada um se sai.
    Beijo.

    • 28 de janeiro de 2013 18:09

      Luciano, vou comprar o meu pela praticidade mesmo, que é imensa. Queria que fosse mais barato.

      Esteticamente acho ainda sem sentido, fica tudo bem feinho mesmo. Nos dois. Mas, por outro lado, mergulhamos mais no texto em si.

      Espero que eu não me arrependa, porque meu ritmo de leitura aumentou loucamente com ele (lia em toda parte, sem medo de estragar nada, rs!)

      Grande abraço! ;]

      • 30 de janeiro de 2013 12:49

        Jéssica, pela questão dos quadrinhos – é o que principalmente tenciono ler – e por rodar .pdf e ser expansível eu tô bem interessado em um kobo, mas não sei ainda em qual versão, e esta é, agora, a minha dúvida. Mas vou esperar a ideia amadurecer, ver como as coisas fluem neste mercado…

      • 31 de janeiro de 2013 19:13

        Já vou te adiantando que PDFs não ficam legais no Kobo, porque a tela é muito pequena; tem que ficar dando zoom pra ver as coisas com nitidez. Pensa nisso, ou faz um teste. ;/

  4. 27 de janeiro de 2013 11:44

    Adorei esse post. Tava super em dúvida, mas acho que ficarei com o Kindle mesmo.
    Tu saberia dizer se os dois têm o mesmo tamanho e se é possível ler pdf no Kindle?

    p.s.: o triste é que a minha maior empolgação seria poder ler quadrinhos =(

    • 27 de janeiro de 2013 11:55

      Jess, eles são praticamente do mesmo tamanho, se houver diferença é pouca. Checa isso e mais um monte de coisas nesse post ótimo da Luara, do Isaac Sabe!: http://isaacsabe.wordpress.com/2012/12/29/kindle-ou-kobo/

      Mas, tomando os dois na mão, acho o Kindle mais sofisticado. O Kobo é todo de plástico, parece um brinquedo, rs!

      O Kindle não lê PDF, mas se são artigos que você quer ler (ou seja, só textos) pode converter pros formatos dele. Acho que dá pra converter arquivos com imagem também, mas duvido que fique ótimo, sabe?

      Não leio quadrinhos no Kindle ou Kobo, disso eu não tenho dúvida. Dá uma olhada de perto pra ver se você gosta. Pra mim, fica um simulacro muito tosco da arte no papel, não convence mesmo, sem falar na falta de cuidado até com os de editora (que são pouquíssimos). Vou continuar comprando cópias físicas.

      Beijão, feliz que tenha ajudado.

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