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Resenha: The Fellowship of the Ring (A Sociedade do Anel) [parte de romance]

5 de outubro de 2012

Autor: J.R.R. Tolkien
Ano da publicação original: 1954
Ilustrações: do autor
Título no Brasil: A Sociedade do Anel
Editora: HarperCollins
ISBN 13: 9780007203543 ISBN 10: 0007203543
432 páginas

Avaliação: 

Atenção: Está é outra resenha que considero longa no blog. Foi impossível, novamente, falar de um Tolkien em poucas linhas.

Depois de um tempão sem dar as caras aqui pelo blog, venho trazer (finalmente!) minha resenha de The Fellowship of the Ring. Minha leitura, começando pelas notas da edição e passando pelo prólogo, durou exatamente dois meses (comecei dia 3 de agosto e terminei anteontem).

A primeira observação a se fazer talvez não seja a mais relevante, mas ainda assim válida para quem chama O Senhor dos Anéis de trilogia. Já tinha ouvido falar dessa classificação errada, mas só abracei a ideia ao consultar uma fonte tão confiável quanto a nota ao texto dessa edição.

Assim, o correto é dizer que O Senhor dos Anéis é um romance composto por três partes. Cada uma dessas três partes (que seriam os três “romances” da tal “trilogia” inventada por aí) estão dividas em dois livros, somando seis. Mas por questões práticas, às vezes a publicação é em três volumes. Pode parecer fútil, mas é bacana saber de que forma o autor planejou e concebeu sua obra.

Como quase todas as pessoas que entraram em contato com a obra de Tolkien nos anos 2000, infelizmente minha primeira experiência com o título O Senhor dos Anéis foi no cinema. Digo infelizmente porque senti que isso interferiu demais na minha experiência de leitura. Se lia Gandalf, pensava em Ian McKellen. Se lia Frodo, pensava em Elijah Wood, e por aí vai, tirando as paisagens. Enfim, pra mim, é muito mais interessante uma leitura sem “amarras” tão delineadas como as de um filme previamente assitido (eu e meus pensamentos semióticos, mas prossigamos).

Como alguns fãs de literatura fantástica já devem saber, O Senhor dos Anéis continua o plot de O Hobbit centrando-se numa figura a que não foi dada muita importância neste último: o Anel Mágico encontrado por Bilbo Bolseiro numa caverna, à época, sob a guarda da criatura Gollum. N’O Hobbit, Bilbo não sabe quase nada sobre a joia, a não ser que ela o faz invisível quando usada, fato que o livrou do próprio Gollum. Agora, tendo o Um Anel e muitos de seus pertences passados de Bilbo a seu sobrinho adotivo Frodo Bolseiro, cabe ao pobre hobbit destruí-lo antes mesmo que entenda qual seu real poder e antes que Sauron, O Senhor do Escuro que também  dá nome à obra, resgate-o e detenha poder sobre toda a Terra-Média.

Em The Fellowship of the Ring, acompanhamos Frodo (que forma a Sociedade junto com o mago Gandalf; os hobbits Sam, Merry e Pippin; o ranger Strider, o elfo Legolas e o anão Gimli) da porta de sua residência no Condado até as cataratas de Rauros no rio Anduin.

Mas se o plot é continuado, o tom da narrativa certamente não. E isso fica cada vez mais evidente ao nos afastarmos do capítulo inicial, que nos conta sobre a partida de Bilbo do Condado, precedida de uma grande festa de despedida. Em O Senhor dos Anéis, não podemos mais nos sentir aos pés da poltrona de Tolkien, e ele certamente não se dirigirá mais a nós, leitores.

O tom solene do narrador será entremeado por falas igualmente solenes e emblemáticas, e por versos que, embora cantados pelos personagens, soam como meros poemas, já que não temos acesso (que infelicidade!) às melodias correspondentes (esse, inclusive, é um fato que foi ignorado por Peter Jackson: no romance, quase todos entoam canções, nos filmes, ninguém!). Aviso sério: quem não gostar de poesia vai pular tudo e deixar de apreciar pelo menos 1/3 do livro.

Os outros dois terços ficam por conta das descrições da paisagem, que além de poéticas funcionam como uma bússola mágica a nossos pés: o narrador está sempre citando os pontos cardeais para nos situar em meio a tudo; e por conta da ação, claro. É uma viagem, realmente. Uma das descrições mais belas e impressivas é a da terra élfica de Lothlórien segundo a visão de Frodo, onde reside Galadriel e onde o tempo é alheio ao mundo exterior (tradução de Lenita Maria Rimoli Esteves adoro como ela usa a palavra saudade, tão nossa!):

He saw no colour but those he knew, gold and white and blue and green, but they were fresh and poignant, as if he had at that moment first perceived them and made for them names new and wonderful. In winter here no heart could mourn for summer or for spring. No blemish or sickness or deformity could be seen in anything that grew upon the earth. On the land of Lórien, there was no stain. (pp. 350-351)

Frodo não viu cores diferentes das que conhecia, dourado e branco e azul e verde, mas eram novas e pungentes, como se naquele mesmo momento as tivesse percebido pela primeira vez, dando-lhes nomes novos e maravilhosos. Naquela região, no inverno, ninguém podia sentir saudade do verão ou da primavera. Não se podia ver qualquer defeito ou doença ou deformidade em cada uma das coisas que cresciam sobre a terra. Não havia manchas na terra de Lórien.

Em resumo: além de ser uma história envolvente, O Senhor dos Anéis é uma obra muito rica e cheia de profundidade. O encantamento de Tolkien pelas linguagens, aliado a seus estudos incansáveis na área de Letras (sim, ele era filólogo, inclusive, sintam meu imenso Letras pride!), resultou na construção de um vasto arcabouço de línguas fictícias que se mostram na saga, o que nós dá a impressão de uma imensa profundidade histórico-cultural enquanto acompanhamos os passos dos personagens em suas aventuras. É, realmente, o clássico da literatura de fantasia moderna.

P.S.1: Não vou entrar aqui em detalhes sobre certos desconfortos que me tomaram enquanto tentava perceber as inclinações ideológicas de Tolkien a partir da minha leitura. Talvez isso seja assunto para um outro post. Vocês imaginam quais sejam essas inquietações? Tiveram alguma? Me respondam nos comentários.
P.S.: No futuro, quem sabe, eu faça um post de comparação analisando tempo, personagens, falas, cenários, etc. na narrativa e nas versões cinematográficas de Jackson. Por enquanto, prosseguirei na leitura de As Duas Torres. ;]

Comprar: Esgotado no Book Depository! ;/

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7 Comentários leave one →
  1. 5 de outubro de 2012 15:07

    Oi Jéssica!
    Muito linda essa sua edição, sério mesmo. Faz inveja em qualquer colecionador (entende-se: eu – hehe’).

    Eu tive problemas a primeira vez que li The lord of the rings. Eu era muito novo e só terminei a leitura porque era teimoso e não gostava de abandonar minhas leituras pela metade (diferente de hoje que tenho um ‘paladar’ mais seleto para o que vou degustar em determinadas ocasiões). Tenho vontade de voltar a ler, mas primeiro preciso terminar os que estou lendo.
    Quem sabe um dia…

    Inté .. =D

    • 5 de outubro de 2012 15:17

      É linda mesmo, João, escolhi quais edições comprar a dedo e demorei meses pra encomendar, queria ter certeza. Acabei de pedir The Return of the King, com medo que esgotasse no Book Depository (no Amazon já acabaram todos!).

      Eu também tive problemas da primeira vez, e em português! Mas eu era uma adolescente pirralha com 0% de concentração… Valeu a espera!

      E voltar a ler TLOTR é algo quase obrigatório, realmente. Deixamos passar tanta coisa linda de primeira, querendo ver a ação se desenvolver, pelo menos eu (ainda!) sou assim.

      Até a próxima! ;]

      • 5 de outubro de 2012 15:55

        Quando voltar a ler vou ler em inglês, porque já percebi que me concentro mais lendo em inglês – ainda mais enquanto Rob Inglis está sussurando a história nos meus ouvidos .. =D

  2. 5 de outubro de 2012 10:33

    Eu li antes de ver o filme, o que foi uma sorte, também detesto quando o personagem do livro ganha, na minha cabeça, a cara do ator. Mas eu sou suspeito para falar de Tolkien, sou muito fã, gosto do tom em que escreve, do modo como descreve os cenários, de como arquiteta suas histórias.

    Ah, e tem todo o direito de se orgulhar, rsrs, o fato de ele ser filólogo ajudou muito na nomenclatura dos seres e coisas. Quando isso tenta ser reproduzido em, por exemplo, livros de fantasia de autores nacionais, que não tem o mesmo conhecimento que Tolkien – que era um gênio, então acho que deveria ter dito, uma base linguística semelhante à e Tolkien – os nomes soam estranhos e artificiais.

    Agora, era moleque quando li Tolkien será que deixei alguma coisa escapar? Fiquei curioso quanto às inquietações….

    • 5 de outubro de 2012 10:50

      Luciano, que sorte, realmente! E que bacana da sua parte…! Já tinha pelo menos ouvido falar nos filmes quando leu? Eu jamais vou poder ter esse contato “virgem” com a obra dele, pelo menos não n’O Senhor dos Anéis. Uma pena!

      Quanto às inquietações, estava pensando mais especificamente em racismo. Percebo uma parcialidade muito grande no que diz respeito à ligação cor da pele e caráter dos personagens, além de não poder evitar a impressão de que os orcs foram construídos à imagem de alguns povos da África. O que você acha?

      Abraço.

      • 5 de outubro de 2012 16:00

        Jéssica, eu os li quando as escolas públicas do estado de São Paulo os receberam, e isso foi, ao menos por aqui, “nas barbas” do lançamento do primeiro filme nos cinemas. Só que eu não assisti aos filmes no cinema, rsrs, por isso deu pra ler primeiro, mas claro que todo mundo já falava dele.

        Isso eu notei sim, essa parcialidade, os haradrim – acho que só aparecem no terceiro livro – e são descritos como maus e de aparência árabe. Neste poto concordo com você, Tolkien foi bastante parcial.

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