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Resenha: Rurouni Kenshin v.1 [mangá]

3 de agosto de 2012

Autor: Nobuhiro Watsuki
Tradutor: Kenichiro Yagi
Letrista: Steve Dutro
Ano das publicações originais: 1994
Língua original: Japonês

Título no Brasil:
Samurai X (volumes 1 ao 6)
Editora: VIZ Media
ISBN 13: 9781421520735
576 páginas

Avaliação:

Atenção! Esta resenha aborda os três primeiros volumes japoneses do mangá, reunidos em um único volume pela editora VIZ Media.

Olá leitores e leitoras mais pacientes e querid@s da blogosfera literária! Dei uma sumida longa depois da última resenha, mas aqui estou de volta para mostrar (e falar muito bem sobre, se preparem!) a mais nova paixão literária dos meus dias, um mangá super célebre assinado por Nobihuro Watsuki, que se passa nos primeiros anos da Era Meiji do Japão imperial. Só com isso já dá pra matar, não é mesmo?

Durante as duas últimas semanas, minhas atenções de leitora se voltaram exclusivamente para Rurouni Kenshin (no Brasil, Samurai X, pela JBC), lançado no Japão no ínicio dos anos 90 e, no Brasil, no comecinho dos anos 2000. Aqui, o mangá ganhou espantosos 56 números, sendo que cada volume original japonês foi dividido ao meio. Esta humilde blogueira estava esperando pela relançamento da série, prometido pela JBC no Festival do Japão deste ano em São Paulo, mas não resistiu: adquiriu o primeiro volumão da americana VIZ Media, que condensa os três primeiros volumes do mangá (são ao todo nove números nessa coleção). E sabe que não me arrependo? A edição é maravilhosa, a encadernação é bem robusta e o papel das folhas é superior. Um gostinho:

Quando conto a alguém que estou lendo Rurouni Kenshin, as reações são praticamente as mesmas. Falam coisas como: “Caramba! Minha infância!”. Bom, na minha sincera opinião, não acho que RuroKen seja, de nenhuma forma, um mangá para crianças. Mas como aqui no Brasil (e acredito que em muitos outros lugares também!) quase tudo que é quadrinho cai na enorme classificação de infantil, acho que isso acabou acontecendo, ainda mais porque o anime também foi lançado por aqui. Mas o fato é que o mangá é indicado para older teens, ou seja, a partir dos 16 anos, o que eu acho bastante adequado. O porquê disso?

Rurouni Kenshin é uma história muito violenta. Nosso protagonista, que se diz um rurouni (palavra criada pelo autor a partir do termo japonês “rouni”, que significa “andarilho”), é um ex-hitokiri: um hábil assassino espadachim responsável por retalhar quantos corpos vivos fossem necessários para que os caminhos da revolução Meiji pudessem ser abertos e o Japão superasse o xogunato, sua fase feudal, e se tornasse um império, mais aberto e moderno.

Himura Kenshin (lembre-se que, na ordem japonesa, temos: 1. sobrenome 2. nome) é o nosso protagonista. Ele foi baseado em um dos quatro hitokiri mais notáveis do período Bakumatsu, que marcou o declínio do domínio dos xoguns sobre o Japão: Kawakami Gensai. Gensai, apesar da fama e das habilidades assassinas, tinha uma aparência bastante delicada e baixa estatura. E foi assim que nasceram as formas do personagem de Watsuki. Há muitos outros personagens do mangá baseados em figuras históricas, dá uma verdadeira aula de história pra quem gosta de pesquisar.

A história tem início, mais precisamente, no décimo primeiro ano da Era Meiji. Kenshin há muito abandonara seu posto como hitokiri para se tornar um andarilho. Mas, seria ele mesmo um simples andarilho? Na verdade, bem longe disso. Com o coração cheio de peso pelas mortes que causara e pelo sangue que derramara no passado, ele decide vagar por Tóquio sempre à espreita de malfeitores que possam ser punidos e de alguém que corra perigo e precise de suporte e socorro. Em outras palavras, Himura Kenshin, ex-assassino político, torna-se um super herói do Japão imperial (a diferença é que o “super”, aqui, decorre de treino e determinação, e não de mutações genéticas…!).

Mas RuroKen não é só sangue e morte. Bem longe disso! Há inúmeras referências históricas e culturais nipônicas no mangá, o que é um verdadeiro encantamento para uma iniciante no campo, como eu. Os traços de Watsuki são belíssimos e muito detalhados, os desenhos parecem saltar das páginas e nos convidar a fazer parte dessa paisagem japonesa inalcançável no tempo e espaço. Romance e dramas pessoais também não fazem falta em RuroKen, tudo rodeado por aquela aura superior de honra oriental. É bonito demais!

Um fato curioso é que, apesar de ser um mangá shounen (ou seja, cujo público-alvo são rapazes), Watsuki passou um bom tempo recebendo mais cartas de fãs mulheres! Em vez de se espantar ou até mesmo se decepcionar com tal fato, acho que ele deveria se orgulhar. Kamiya Kaoru, a garota que acolhe Kenshin em seu dojo (escola de artes marciais) e passa a conviver com ele desde então, é minha personagem feminina preferida até agora. Mas acho que Watsuki foi injusto com a moça nesses três números…! Ela teve um início espetacular e merece muito mais destaque, a meu ver.

Nestes primeiros volumes da saga, acompanhamos o encontro (mais que peculiar!) de Kenshin e da jovem professora de artes de espada Kaoru, como já disse. Também passam a fazer parte do núcleo da história o garotinho Yahiko, que trabalhava como ladrão para sustentar aqueles que o criavam depois da trágica morte dos pais, Sagara Sanosuke, outro jovem entusiasta das armas e luta orientais, e a médica Takani Megumi, uma segunda protagonista feminina muito forte que (pra variar!) possui um passado venenoso e cheio de névoas.

Os três primeiros volumes de Rurouni Kenshin foram suficientes para me conquistar. Vou até o fim da série, minha primeira em mangá, disso não há dúvidas, e fica a expectativa de que a saga do rurouni continue, pra mim, cada vez melhor.

P.S.: Esse primeiro volume da VIZ traz como bônus, ao fim dos três volumes do mangá oficial, duas histórias que foram desenvolvidas por Watsuki como “rascunhos” da série definitiva. Foi muito interessante (e divertido!) ver sua evolução no traço, na construção dos personagens e no texto. Bravo!

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9 Comentários leave one →
  1. 7 de agosto de 2012 11:22

    Passei um bom tempo da minha vida curtindo as aventuras do Battosai, adoro tudo do seu mundo, e de como a história é atual.

    Não cheguei a comprar o mangá, mas eles estão na minha lista de aquisição…

    Vc viu que ta pra sair um filme 100%Fiel?

    Bjos

  2. 4 de agosto de 2012 0:47

    Não sei se deu certo enviar! Não está aparecendo… vou colocar no Face.

  3. 3 de agosto de 2012 19:32

    Você ainda não chegou no melhor. Não vou comentar nada, pois meus personagens favoritos estão no meio e fim da história. Já que você gostou tanto de Rurouni Kenshin, vou tentar te mandar um presente =)
    Aguarde…

  4. 3 de agosto de 2012 15:21

    Quem tem mais de vinte anos com certeza vai se lembrar do mangá, que por aqui foi exibido pelas manhãs na tv aberta com severos cortes nas cenas de violência. Deixou saudades. O mangá é mais difícil de achar – apesar de que li sobre uma possível reedição, mas não sei em que pé está. Parei de comprar mangá nacional, não dá mais, não com a (falta de) qualidade que estão fazendo, com uma gramatura sofrível, erros de tradução, folhas soltando….

    Fiquei com vontade de ler 😉 e essas edições omnibus são o máximo! Tenho uma de Fullmetal Alchemist que é linda, mas meu inglês é capenga, então nem comecei a ler ainda. Outro título que quero comprar mesmo sem conseguir ler decentemente é o First President of Japan, mas é chato de encontrar.

    Abraços.

    • 3 de agosto de 2012 18:28

      Exatamente, Luciano, como falei, vai ter reedição de Samurai X este ano pela JBC. Mas não aguentei esperar, e não me arrependo, as edições da VIZ são impecáveis!

      Acho que meu próximo vai ser Vagabond, mas ainda há oito volumes de RuroKen a serem lidos…!

      Abraço! ;]

      • 3 de agosto de 2012 20:14

        Jurava que o WP tinha engolido meu comentário, daí vim me certificar 😉

        Euachava que seria a Panini quem relançaria, junto com One Piece, DBall e os outros tantos, por isso fiquei assim, mas estou evitando comprar nacional, só se quiser muito mesmo ler – como foi o caso de Homunculus.

        Boas leituras!

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