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Resenha: Socrates in Love [mangá]

3 de julho de 2012

Autora: Kazumi Kazui (baseada no romance de Kyoichi Katayama)
Tradutor: Noritaka Minami
Letrista: Steve Dutro
Ano da publicação original: 2004
Língua original: Japonês
Título original:
Sekai no Chushin de Ai o Sakebu
Título no Brasil:
Socrates in Love – O Amor Sobrevive ao Tempo
Editora: VIZ Media
ISBN: 9781421501994 (13) 1421501996 (10)
166 páginas

Avaliação:

O mangá Socrates in Love é, na verdade, uma adaptação, e foi lançado no Brasil com o subtítulo de O Amor Sobrevive ao Tempo, pela JBC. A obra original é um romance de Kyoichi Katayama, o best-seller japonês mais vendido na história do país: Sekai no Chushin de Ai o Sakebu (no Brasil, Um Grito de Amor do Centro do Mundo; nos EUA, também Socrates in Love). Além do mangá, a narrativa já deu origem a uma série de TV, dois filmes, um anime e um musical, inclusive. Por isso, atenção, estamos falando de uma lenda da cultura pop japonesa!

Minha relação com este mangá é muito especial. Acreditem: foi o primeiro mangá que li, do começo ao fim, em toda minha vida. Poderia tê-lo lido em apenas um dia, a linguagem é simples e a história é instintivamente envolvente. Mas preferi deixar metade dele para um outro dia. Tenho uma regra pessoal ao ler qualquer coisa que seja: não terminar a leitura sem dormir uma noite antes. Faço isso para aprofundar laços com os personagens e criar memórias mais sólidas da obra.

Não é spoiler nenhum dizer que Aki Hirose, desde a primeira página da história, está morta. É um choque para o leitor, que ainda não criou nenhuma intimidade com as personagens, saber disso logo de cara. A partir de um encontro de Sakutaro Matsumoto, o protagonista, com os pais de Aki, que carregam as cinzas da moça numa pequena urna, as memórias do rapaz se desenrolam num flashback confessional que nos fará conhecer a bela história de amor do casal com detalhes. No fim, as duas pontas da história se unem, e descobrimos o que aconteceu com Sakutaro depois de tudo.

Quanto ao plot, Socrates in Love é um típico romance juvenil: garota conhece garoto no Ensino Médio, se apaixonam e iniciam um namoro. Mas ele é bem mais que isso, acreditem. O que mais me chamou atenção no mangá foi a proximidade entre o amor, a doença (Aki sofria de leucemia), a dor e a morte ao longo de todas as fases da história, e isso é feito das mais variadas formas. Por várias vezes fiquei me perguntando por que certos elementos tão mórbidos não ficavam deslocados numa história romântica clássica, extremamente humorística em muitos momentos. Alguns minutos depois, acho que obtive a resposta: porque essa é a realidade. Nossa vida tem felicidade, riso, morte e lágrimas, tudo junto. E ainda há quem diga que ela faz sentido, é ou não é?

A relação de Aki e Saku-Chan é de primeiro amor. E, como tal, é atrapalhada, imatura (especialmente por culpa dele, coitado, fico me perguntando se essa é umas razões pelas quais um mangá é considerado shoujo), inocente… Mas absolutamente verdadeira. Há vários momentos de felicidade e humor, e muitos de desespero, angústia e desolação. A arte de Kazumi Kazui, simples porém intensa, acerta em cheio na missão de nos fazer sentir tudo isso enquanto lemos seu Socrates in Love. Diz a autora no posfácio dessa edição americana que, ao desenhar as sequências finais da obra, não podia conter as lágrimas. E esta humilde blogueira também não, ao percorrer as últimas páginas do mangá (e até muito, muito tempo depois, na verdade!).

Não poderia ter tido um primeiro contato mais memorável com a arte dos quadrinhos japoneses. A força da obra original (que ainda não li por inteiro) provavelmente ajudou Kazumi Kazui a desenvolver tão bem seus traços, mas não há dúvidas quanto ao talento e sensibilidade da artista. Este é um mangá para aqueles que sabem o que é amar, ou que um dia souberam e querem se lembrar disso. É uma história não apenas sobre amor e morte mas, principalmente, imortalidade. Jamais vou esquecer Socrates in Love.

P.S.: Não sei quanto à edição brasileira da JBC, mas minha edição da VIZ Media contém o comecinho do romance de Kyoichi Katayama. E, pelo que li, vale muito a pena se aventurar pela narrativa original.

P.S.2.: Alguém pode estar se perguntando por que o título da obra é Socrates in Love. Descobri que Katayama teve essa ideia ao ler na obra O que é a Filosofia?, de Gilles Deleuze e Felix Guattari, a seguinte frase: “O amor é uma forma de violência que obriga as pessoas a pensarem.” Quanto à explicação do sentido dela no mangá… deixo para vocês.

Comprar: The Book Depository | Estante Virtual (em português)

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9 Comentários leave one →
  1. cah5 permalink
    21 de julho de 2012 20:32

    Muito bacana seu blog, com certeza voltarei outras vezes!

    Beijo

    • 21 de julho de 2012 21:52

      Obrigada, Cah, e seja muito bem-vinda!

      Já dei uma espiada no seu blog, parabéns pelo conteúdo! ;}

  2. 11 de julho de 2012 9:42

    Olá! Descobri seu blog há pouco tempo, é fofo e as resenhas são ótimas! Aliás, partilhamos o mesmo template, rs. E pelo que entendi você também é de Fortaleza? Beijo! =)

    • 11 de julho de 2012 11:05

      Obrigada, Lua! Já vi que temos muito bom gosto para templates e livros, rs!

      Sou de Fortaleza, sim! *-*

      Seu blog já está na minha lista também, ganhou mais uma leitora! Abraço! ;]

  3. 5 de julho de 2012 22:46

    É uma vergonha, mas não conheço nada da cultura japonesa, mangá então… Acho que a primeira vez que me obriguei a pesquisar alguma coisa foi pro blog, há poucas semanas atrás.
    Dos poucos filmes que vi, percebi que eles têm uma forma muito delicada de falar de temas tocantes. Acho que vale para Socrates in Love.
    A história parece linda, já entrou para a minha lista de desejos. Vou ver se incluo na minha próxima compra do BookDepository. 😉

    • 6 de julho de 2012 11:13

      Eu tô começando agora, na verdade, Amanda, e vou tentar compensar um pouco do tempo que passei na adolescência virando o rosto pros mangás…

      Gosto muito de dobrar origami também, e já criei várias decorações! ^^

      Inclua o mangá na sua compra, sim. É uma edição baratinha e super linda, e a obra vale muito a pena!

      :*

  4. 4 de julho de 2012 14:03

    É, você começou mesmo muito bem! Há um tempo atrás quase comprei a edição brasileira, mas nem lembro a razão acabei desistindo – e agora me arrependo. Os mangás – e o mérito é de cada mangaká – sabem muito bem explorar os sentimentos e representá-los, tocando o leitor de uma forma única, por isso respeito tanto este tipo de arte.

    Me deu saudades, faz um tempinho que não leio nada do gênero 🙂

    • 4 de julho de 2012 14:37

      Luciano, se você ainda quiser a versão brasileira, clica no no link aqui em cima, no fim da resenha! Um vendedor da Estante Virtual tem o mangá.

      Se dominar o inglês, recomendo que compre a edição da VIZ, que é linda. E a linguagem é bem simples, você devora as páginas mesmo.

      Daqui a um tempinho vou começar uma série de resenhas sobre uma das séries de mangá mais famosas do Japão e do mundo. Aguarde! ;]

      • 4 de julho de 2012 16:17

        Jéssica, vou ficar de olho. Se pudesse te sugerir uma série, diria para dar uma olhada em Yotsuba to!, ela ainda não foi lançada por aqui, infelizmente, mas é até fácil de encontrar lá fora.

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