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Resenha: The Hobbit (O Hobbit) [romance]

27 de junho de 2012

Autor: J.R.R. Tolkien
Ano da publicação original: 1937
Ilustrações: do autor
Título no Brasil: O Hobbit
Editora: Houghton Mifflin Harcourt
ISBN: 9780395071229
255 páginas

Avaliação: 

Atenção: Esta resenha será um pouco longa… Foi impossível, para mim, falar de um Tolkien em menos linhas. Farei o possível para ser breve e relevante!

Imagine que você é um sujeito pequeno, simpático e pacífico chamado Bilbo Bolseiro, e mora em uma bela toca sob uma colina verdinha, rodeado de flores. Tudo que você quer na vida é tranquilidade para apreciar seu cachimbo, fazer suas refeições regulares e descansar. Um belo dia, um mago de barba prateada e sobrancelhas espessas chamado Gandalf aparece na sua soleira, dizendo que te escolheu para uma aventura.

Você tenta dispensá-lo o mais rápido possível mas, no dia seguinte, quando deveria vir para um chá, ele manda 13 anões [!] pra sua toca antes de aparecer. E sem pedir nenhuma permissão! Depois que eles comem toda a sua comida (solicitando mais para o jantar e o café da manhã) e fazem festa na sua mesa, você fica sabendo que foi escalado para ajudá-los a se vingar de um dragão chamado Smaug, que roubara todo o ouro de seus antepassados, deixando a antiga cidade onde reinavam desolada. Não há nenhuma garantia de que você volte para sua amada terra, mas te prometem 1/14 do tesouro caso tudo dê certo.

E então, gostou? Eu me apaixonei de primeira. Essa é a premissa de The Hobbit or There and Back Again (O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez no Brasil, pela WMF), uma aventura que se passa na Terra Média de Tolkien antes dos acontecimentos da trilogia O Senhor dos Anéis e envolve, além do hobbit, dos anões e do dragão, trolls, goblins, elfos e humanos. É quando Bilbo rouba o Um Anel (na obra, chamado apenas de “anel mágico”) de Gollum e traça, sem querer, uma aventura sem limites para seu sobrinho Frodo Bolseiro mais tarde. Prepare a bagagem, pois a viagem até a Montanha Solitária é longa; e prepare também o fôlego: cada capítulo é uma aventura que quase poderia sustentar-se por si em  um belo conto de fantasia.

Ler The Hobbit foi uma experiência única pra mim. Acredito que uma boa tradução cause um efeito muito parecido no leitor, mas ter nas mãos o original, exatamente como foi concebido por Tolkien, é uma emoção que não posso descrever. É como se ele mesmo estivesse me contando a história, ao vivo, até porque o estilo do autor é esse mesmo: ele fala com @ leitor(a) constantemente, como se estivéssemos aos pés de sua poltrona. Ao ler, passeava pela Terra Média com Bilbo, os anões e os elfos, e sentia como se estivesse lá em sonho, assistindo ao sol nascer e se pôr, me afligindo, me emocionando e cansando meu grandes pés peludos ao percorrer o caminho da aventura.

Este foi meu primeiro Tolkien, e pude constatar que o que falam sobre suas descrições longas e detalhadas é a mais pura verdade. Mas, pelo menos N‘O Hobbit, a meu ver, isso não diminui o ritmo da obra de nenhuma forma, ao contrário: as descrições detalhadas, algumas vezes até poéticas, servem para balancear a narrativa. Se o romance fosse feito apenas de ação, momentos tensos e diálogos, que valor teria? Vejam um dos exemplos descritivos mais lindos do livro nessas linhas que falam sobre as folhas caídas na floresta de Mirkwood (com tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves):

A few leaves came rustling down to remind them that outside autumn was coming on. Their feet ruffled among the dead leaves of countless other autumns that drifted over the banks of the path from the deep red carpets of the forest. (p.129)

Algumas folhas caíam farfalhando para lembrá-los de que lá fora o outono se aproximava. Seus pés afundavam nas folhas mortas de outros incontáveis outonos, trazidas pelo vento dos espessos tapetes rubros da floresta para as margens da trilha.

Eu sei que não é muito interessante ficar procurando metáforas em toda obra de fantasia, mas pra mim foi impossível não pensar em Bilbo como o retrato de cada um de nós que busca o conforto na vida, se sente desolado quando esse conforto nos é arrancado mas, apesar disso, descobre na dor e na dificuldade que pode fazer muito, muito mais do que pensava ser capaz.

Os fãs de Tolkien mais informados já sabem que o diretor Peter Jackson vai dividir a versão cinematográfica do romance em duas partes, sendo que o primeiro filme, Uma Jornada Inesperada, sai em Dezembro deste ano. Estou me roendo de curiosidade para saber até onde ele vai. Não vou esconder de vocês que, na minha humilde opinião, a melhor metade do livro é a segunda! É nela que se concentra a ação final, é quando os humanos e elfos finalmente se juntam a Bilbo e os anões, é a parte dos diálogos mais notáveis, dos traços mais épicos, das decisões mais drásticas. Tudo isso, é certo, só vai estar no segundo filme; mas é bom lembrar que a primeira metade é absolutamente necessária para o desenvolvimento da obra.

E o que não poderia faltar numa história de fantasia épica, cheia de terras e povos fictícios, era um belo de um mapa, né não? Minha edição contêm dois, sendo esse o principal. Saía das páginas da história para consultá-lo sempre e me situar em meio à aventura.

Para finalizar, a ilustração favorita da minha edição (são todas do autor):

O que dizer mais? The Hobbit é um romance impecavelmente escrito, sensível, e, é claro, cheio de aventura. Um clássico obrigatório para os fãs de literatura de fantasia no mundo todo.

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7 Comentários leave one →
  1. 28 de junho de 2012 10:16

    Oi Jéssica,
    estava esperando a sua resenha de O Hobbit! Foi como voltar num tempo maravilhoso da minha vida – quem lê um Tolkien, vive a história junto com o personagem. Como já disseram no outro comentário, bem vinda a Terra Média! Você provavelmente vai querer passar mais tempo por lá.
    E concordo com a sua opinião sobre Bilbo, o mesmo acontece com Frodo. Ele é tirado de uma situação de conforto, é obrigado a enfrentar todos os seus medos, além de desafios que ele nem sonhava quando morava no Condado, mas descobre que pode fazer muito mais do que pensava ser capaz.
    A edição que você comprou é linda. Imagino que ler na língua do autor seja ainda melhor.
    bjs,
    Amanda

    • 28 de junho de 2012 11:50

      Amanda, obrigada pela expectativa…! Espero não ter decepcionado!

      Me apaixonei pela Terra Média mesmo, já era hora. Não encontrei grandes dificuldades ao ler no original, mas estou me preparando para O Senhor dos Anéis, vai ser um pouquinho mais complicado, pra dizer o mínimo…

      Abraço! ;]

  2. 28 de junho de 2012 8:29

    Jéssica, bem vinda à Terra Média! Mas já vou avisando, você pode quere passar – a partir de agora – muito tempo por lá. Tolkien conseguiu criar um mundo encantador, e seu talento descritivo só faz com que seja ainda mais atraente. Li O Hobbit após O Senhor dos Anéis, mas isso não atrapalhou a leitura, e o livro continuou sendo muito bom, tanto que no final, ao terminar de ler, se pode sentir aquele aperto no coração, da falta que ele fará.

    Grande abraço 😉

    • 28 de junho de 2012 8:46

      Pode apostar que sim, Luciano…

      Tô sentindo isso agorinha mesmo, e já escolhi em qual edição vou comprar a trilogia The Lord of The Rings…!

      Vou passar mais um bom tempo pela Terra Média! ;]

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