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Resenha: Sense and Sensibility [graphic novel]

8 de junho de 2012

Autora: Nancy Butler (baseada no romance de Jane Austen)
Desenhista: Sonny Liew
Colorista: SotoColor’s L. Molinar
Letrista: VC’s Joe Sabino
Introdução: Nancy Butler
Ano das publicações originais (5 volumes): 2010
Língua original: Inglês
Título no Brasil: –
Editora: Marvel
ISBN: 9780785148197
128 páginas

Avaliação:

Quando li uma das traduções brasileiras de Razão e Sensibilidade, em 2009, confesso que fiquei meio decepcionada. Esperava mais do meu segundo romance de Jane Austen. Eu havia acabado de ler Orgulho e Preconceito, perdendo o fôlego a cada capítulo, e a comparação com o desfecho morno de Razão foi inevitável.

Por isso, posso dizer a vocês que a leitura da graphic novel foi muito mais prazerosa pra mim do que a do romance. Por isso, sim, mas não só. A adaptação de Nancy Butler é extremamente fiel à obra, inclusive no nível da linguagem, que é muito elevado. Se você, infelizmente, não dominar o inglês formal muito bem, não conseguirá acompanhar a história.

Para quem ainda não conhece a obra, Sense and Sensibility se situa no início do século XIX e trata da relação de profundo amor e cumplicidade entre as irmãs inglesas Elinor e Marianne Dashwood. A primeira representa a razão (ou sense, no original): é prudente, contida e tem imenso temor em deixar transparecer os próprios sentimentos, sejam de alegria ou tristeza. Já Marianne, a mais jovem das duas, representa o sentimento e a sensibilidade (ou sensibility). Extremamente passional, ela explode de emoções à vista de tudo e todos, quase sem pensar. As duas parecem amar com a mesma força, porém.

O enredo e os dramas começam a tomar forma quando o meio-irmão destas, John Dashwood, priva-as da herança que lhes era destinada pelo falecido pai, persuadido pela esposa. O tema da impotência feminina diante de questões financeiras é recorrente no feminismo embrionário da autora.

Humilhadas, as três irmãs (Elinor, Marianne e Margaret, a caçula da família) e a mãe saem da mansão Norland, onde cresceram, e vão viver em um modesto e sombrio chalé em Devonshire, o qual precisam aprender a chamar de lar.

Elinor já chega à nova casa com um amor em mente, o jovem e tímido Edward Ferrars. Marianne, porém, que nunca julgava poder amar um homem na face da Terra, viverá seu primeiro amor. E ele não vai ser nada, nada fácil! Será também o último? Deixo a pergunta para meus leitores, caso queiram buscá-la.

Não é espanto nenhum que um romance austeninano termine com casamentos, muitas vezes inesperados, depois de inúmeras aflições e reviravoltas afetivas. Sense não é exceção. Mas agora vamos falar da adaptação em si.

Sinceramente, não tenho do que reclamar, e acho que @s fãs mais hardcore também não. A obra é lindamente desenhada, com traços sutis e figurinhas chibi (ou seja, no melhor estilo japonês pequeno e fofo) em certos momentos, a cor é delicada e foi aplicada conforme pediam os cenários. O grau de apelo sexual é ze-ro, como nos originais de Austen. Dá pra acreditar?!

Parabéns à Marvel, podem aplaudir de pé! Tudo que erraram na quadrinização de Pride and Prejudice (vejam uma pavorosa amostra aqui), acertaram nessa. Mas julgo que o melhor dos acertos foi ter colocado o malasiano Sonny Liew no comando da arte. Ele fez as belíssimas capas de Pride e, se tivesse feito também a arte interna, essa adaptação também me ganharia… Uma pena mesmo!

Vejam mais imagens da adaptação, com mais personagens:

Enfim, Sense and Sensibility da Marvel é uma adaptação rara, daquelas que podem conquistar nosso coração até mais do que a obra original. É uma pérola que merece ser apreciada não só pelos fãs de Jane Austen, mas por todo mundo que adora um bom romance, em bons quadrinhos.

P.S.: Minha versão é hardback, vejam fotos do livro real aqui.

Comprar: The Book Depository

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6 Comentários leave one →
  1. 5 de maio de 2014 20:35

    Gostei, Jéssica! E agora quero muito mais ler logo o livro, rs.
    Amo essa história, pronto, rs.

    beijo grande,

  2. 11 de junho de 2012 22:15

    Oi Jéssica !

    Acredita que eu nunca li nenhum livro da Jane Austen ? Nem um se quer. Mas eu tenho uma irmã meio que “fã-muito-doida” dela – a gente até foi na casa que ela viveu, em Bath-Londres – e posso dizer que conheço tudo da vida da autora e das histórias dos seus livros (principalmente o Pride & Prejudice que o livro/filme favorito da minha irmã).
    Amei muito mesmo das ilustrações dessa edição da Marvel. Acho que depois que eu terminar de comprar os livros da minha Lista de Desejos versão 2.0 eu vou comprar essa sua edição – invejinha santa. He He’.

    Seu blog tá muito massa. Pode ter certeza que minha presença aqui será constante.

    Abraços

    • 12 de junho de 2012 16:23

      Muito obrigada, João! ;]

      E que sonho visitar a casa de Jane Austen! Muito emocionante.

      Eu acho uma ótima ideia que cada vez mais homens leiam a obra da autora (você sabe, né, ela é considerada extremamente “feminina”). Afinal, comportamento social e casamento não são só coisas “de mulher”…! Vá em frente, é muito provável que não se arrependa!

      ;]

      • 12 de junho de 2012 23:49

        Pois é, eu fiquei sabendo (e também pude notar nos comentários da minha irmã sobre os livros/filmes/vida da autora) que ela é super feminina, daquele estilo de sonhos de todas as garotas de se apaixonar e viver feliz. Mas eu realmente não acho que isso seja um sonho só de mulher. Nós homens também queremos nos apaixonar. Eu amo histórias de romance e acho que mais homens deveriam gostar – não custa nada deixar o pouco o machismo de lado e ser mais romântico e carinhoso para agradar a parceira, não é mesmo?

        Com certeza lerei os livros dela. Mas por enquanto estou lendo outros. Os estilos de livros vem em fases comigo .. agora estou num mais culto, algo para refletir. Sai faz pouco tempo do estilo fantasia. Vamos ver o que vem depois.

        Abraços! =D

  3. 10 de junho de 2012 15:41

    Tenho que confessar que sou fan boy da DC, mas vou dar meu braço a torcer aqui: a arte chama muito a atenção, combina perfeitamente com a época na qual se passa o livro. Ainda não li nada de Jane Austen, tenho que pagar esta dívida logo, então espero poder ler algo seu em breve.

    Grande abraço e – ais uma vez – resenha excelente.

    • 10 de junho de 2012 20:18

      Obrigada, Luciano! ^^

      Se você gosta de crítica social (não revolucionária, entretanto), diálogos cortantes e inteligentes e uma ironia fina, além de um humor leve e de alto nível, vai amar os romances da Jane Austen.

      E a arte dessa adaptação combinou muito bem com o ar da obra original mesmo… Mas agora percebo que nas imagens que escolhi deixei tudo muito fechado, foquei muito nos personagens e não mostrei os cenários mais abertos (bailes, casas, campos etc). Talvez tire umas fotos a mais e acrescente aqui.

      ;]

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