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Etc: Sobre minhas leituras e meu blog

6 de abril de 2012

Leitores e leitoras, preparem-se: o post de hoje é longo. Meu Biblioluv já tem alguns meses de vida (é um bebê ainda, mas já tão amado e tão necessário na minha vida!), o que me levou a pensar sobre o que queria dele quando o criei e o que quero dele hoje. E isso, inevitavelmente, me leva a falar um pouco da minha relação com a leitura pra vocês. Interessad@? É só continuar. Não dá a mínima? Espere a próxima resenha! ;]

Há alguns dias estava comentando com a Wanessa, uma amiga querida, sobre a falta de influências bibliofílicas em casa. Nunca tive pais, avós, tios, primos ou quem seja que amassem livros e que os possuíssem em grande quantidade ou me influenciassem a ler. Diante disso, ela quis então saber como havia surgido esse amor pelos livros e pela leitura. Vocês acham que eu soube responder, rs?

O fato é que me esqueci de mencionar que nunca me faltaram HQs da Turma da Mônica na infância, e lembro com carinho de uma noite em que meu pai chegou em casa com vários exemplares de quadrinhos Disney pra mim (que eu não tive o cuidado de guardar, uma pena mesmo!). Fui terrivelmente injnusta! Acho que precisaria lembrar também dos livros infantis que tomava emprestados na primeira biblioteca da minha escolinha na Educação Infantil, ansiosa por viver um pouco de fantasia. Sim, acho que tudo começou mesmo aí. Turma da Mônica, Tio Patinhas, contos de fada.

Mas não foi desde criança que comecei a colecionar livros. Caso contrário, já teria centenas deles. Acho que até mesmo pela falta de grandes influências, passei grande parte da minha adolescência um pouco desligada da literatura. Já nos últimos anos do Ensino Médio, me apaixonei pela literatura juvenil de Pedro Bandeira, autor brasileiro cujas histórias tem plots de grandes clássicos adaptadas à realidade dos jovens de sua época. Meu preferido era sem dúvida A Marca de uma Lágrima, adaptação do drama francês Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand. Li e me emocionei inúmeras vezes com o romance.

Essa foi também a época em que, por causa de uma turma de amigos, tive oportunidade de entrar em contato com os quadrinhos japoneses: os mangás. Mas eu simplesmente não quis, virei o rosto estupidamente. Conheci vários títulos, mas por ter detestado alguns, julguei o todo pela parte e comecei a ter um preconceito enorme com mangás. E isso durou até muito pouco tempo atrás, quando percebi que a minha revolta pouco tinha a ver com os mangás em si. Com o que ela tinha a ver… bem, vocês não querem saber, não é mesmo? Nem precisam. Em 2009, comecei a dobrar origami e limpar meu coração de toda essa injustiça. O fato é que, agora, estou completamente aberta a mangás que eu ache interessantes; e logo, logo vamos ter resenhas de mangás aqui no blog. Espero que não seja tarde para demostrar meu respeito e admiração por tantos artistas maravilhosos do mangá!

Foi nessa mesma época, no comecinho dos anos 2000, que surgiu a trilogia O Senhor dos Anéis nos cinemas, e o livros de Tolkien se popularizaram entre nós. Eu era tão preguiçosa e imatura que nunca passei do primeiro capítulo, colocando a culpa nas descrições imensas. Nos intervalos, assistia a meus colegas de turma preenchendo fichas de RPG e rolando dados coloridos nas mesas dos pátios da escola. Nunca fui muito de jogar, não gostava que me dissessem onde estava e de deixar o dado decidir o que deveria acontecer com minha personagem. Gostava de passear com eles, nos intervalos, por entre as estantes da Fanzine, uma livraria famosa pelos manuais de RPG (nessa época, ainda havia uma filial na Av. Treze de Maio, pertinho do IFCE). Talvez isso tenha influenciado o meu amor pela ficção mais do que eu suspeito, mas preferia me isolar e escrever histórias (absurdas e ridículas!) sobre jovens com poderes mágicos, que perambulavam pelas mesmas ruas de Fortaleza que eu. Mas de ler muito, que era bom… nada!

E então entrei na Universidade e tudo meio que pareceu congelado até meu sétimo semestre de Letras (estou cursando o oitavo agora). Finalmente decidi concentrar forças (físicas e financeiras!) na construção de minha biblioteca pessoal e concretizar meu amor pela ficção, tão negligenciado até então. Acho que fiz isso por amor a mim, à minha identidade, ao que sou e o que quero ser e saber. Estou dando prioridade aos clássicos (não só porque os adoro, mas porque pretendo seguir carreira acadêmica com base na literatura) e aos quadrinhos (graphic novels, principalmente). E imediatamente após essa resolução, me veio outra: a de criar este blog e compartilhar todo esse processo com vocês, leitores queridos.

De início, pensava em conseguir parceria com grandes editoras e ter posts com dezenas de comentários. Hoje, posso dizer com certeza que não anseio mais por isso. Estou muito feliz em ter certos leitores constantes (como a Mi do Bibliophile e o Luciano do .Livro, por exemplo), e vários outros que dão uma passadinha aqui para espiar pela fechadura do meu mundo literário. Gosto da ideia de ter um blog “alternativo”, livre; de poder responder todos os meus comentaristas que, muito gentilmente, vêm aqui para fazer parte dessa jornada também. E, mesmo que ele cresça, espero que eu sempre possa. Enquanto eu puder comprar livros para aumentar minha coleção e resenhá-los aqui para mim e vocês, estarei mais do que satisfeita.

Enfim, é isso. Espero que tenham gostado dessa pequena narração da minha jornada literária até agora. Obrigada a todos e todas! ;]

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13 Comentários leave one →
  1. 29 de abril de 2012 3:44

    Turma da Mônica. Que saudade! Ainda tenho boa parte das minhas revistinhas. Tinha em torno de umas 150 na infância. Ainda tenho umas 60…
    Por volta dos meus 12/13 anos também li Bandeira.
    E muito lindo seu relato. Abraços, Jessy.

    • 29 de abril de 2012 13:32

      Que inveja, Alyne, você foi bem mais cuidadosa do que eu…

      Obrigada pelo elogio, abraço! ;]

  2. 9 de abril de 2012 20:43

    Oi Jéssica,
    gostei de saber do seu passado literário. 🙂
    Em várias partes ele se parece com o meu. Minha mãe sempre me incentivou a ler, mas a grande leitora era a minha irmã – ela que foi minha grande influência. Passei por um período na infância em que só lia quadrinhos, tinha uma pilha de Turma da Mônica!
    Harry Potter e Senhor dos Anéis “quebraram o encanto”. Já tinha voltado a ler na época do lançamento dos livros de HP e filmes dos dois, mas depois deles é que engrenei na leitura.
    Adoro o seu blog porque a escolha dos livros resenhados é bem diferente da maioria. Se depender de mim, espero que você não faça parceria com várias editoras e que continue com resenhas cheias de conteúdo. 😉
    bjs,
    Amanda

    • 10 de abril de 2012 14:39

      Amanda, seu comentário me emocionou! =~

      Seja sempre bem-vinda ao blog. Muito feliz de poder cativar cada vez mais leitores!

      Saiba que, no que depender de mim, também não farei parcerias tão cedo… estou bem satisfeita com os livros que escolho e compro!

      Obrigada pelo incentivo e volte sempre! :*

  3. 8 de abril de 2012 2:11

    Jéssica,
    Que gostoso saber um pouquinho da tua trajetória. Isso é até meio esclarecedor, porque a Jéssica que vi quando cursei fonologia é outra da que vejo agora. Olha, me identifiquei muito com o que você escreveu, principalmente porque eu também comecei a ler com Turma da Mônica, tive meu momento de mangás e por fim passei a ler romances. A diferença é que, apesar de ter lido O Senhor dos Anéis o que me cativou mesmo foi Harry Potter, mas é isso. Espero que as resenhas continuem por anos e anos e que você recobre o tempo perdido. 😉
    Té segunda.

    • 8 de abril de 2012 13:27

      Kleber, que feliz que você finalmente resolveu comentar por aqui! Sinta-se sempre à vontade pra isso. ;]

      Acho que Turma da Mônica era leitura praticamente obrigatória pra nossa geração… Não sei como as coisas estão hoje, aqui no Brasil, quando se fala de gibis infantis… Mas não poderíamos estar melhor, realmente!

      Também li Harry Potter na infância, e gostei muito, mas não me tornei uma fã como você. Talvez isso aconteça com o Tolkien, já que estou começando a descobri-lo agora…

      Obrigada pelos votos e carinho! Abraço!

  4. Wanessa permalink
    6 de abril de 2012 22:41

    Jéssica, que honra saber que nossa conversa resultou num texto tão bacana quanto esse! Não canso de dizer o quanto adoro o jeito que você conduz esse blog tão fofo e que traduz exatamente toda a sua paixão pela literatura, pelos livros… Nossa, você me fez lembrar do Pedro Bandeira! “A droga da obediência” marcou a minha infância! ♥ E olha, você me deixou especialmente instigada a ler mangás, viu? Bjs

    • 7 de abril de 2012 21:02

      Seu comentário também me honrou, dear! Adorei nossa conversa, precisamos ter mais dessas. ;]

      Aguarde a resenha do mangá, acho que há grandes chances de vc gostar, sim! ^^

      ;**

  5. 6 de abril de 2012 15:12

    Ah! Eu comecei cedo, e com o apoio dos meus pais, lendo muito os quadrinhos Disney e Turma da Mônica (principalmente), bons tempo aqueles. Um pouco mais tarde, li muito a coleção Vagalume, que é sensacional, perfeita para formar leitores. Depois experimentei de tudo, rs, e fui moldando meus gostos até encontrar Agatha Christie e Julio Verne, que definiram o caminho que eu seguiria. Já os mangás eu admiro desde molecote, mas só passei a ler depois que comecei a trabalhar e pude comprá-los, e isso fazem uns cinco anos só, é paixão antiga mas com casamento recente. Bom saber que está “se entregando” a estes novos sabores que os mangás trazem. Meu irmão diz que os japoneses são mais inteligentes porque crescem lendo antologias de mangás com quase mil páginas, toda semana; enquanto nós, brasileiros, patinamos em revistinhas mensais de 48 páginas. Não faz muito sentido, eu sei, mas tem lá um fundinho de verdade.

    O comentário tá enorme, então, finalizando, fico, mais do que nunca, aguardando as resenhas, muito obrigado pela menção carinhosa, é sempre muito bom passar por aqui e encontrar um bom texto (e obrigado também à Mi e o Bibliophile, foi por lá que cheguei aqui, rs).

    Grande abraço 😉 e boas leituras.

    • 6 de abril de 2012 17:26

      Imagina, Luciano! Você escreve muito bem, seu blog é um dos melhores que já tive a oportunidade de ler. ^^

      E não me importo nem um pouco com comentários longos, rs! Feliz por você ter compartilhado suas experiências também!

      Abraço! ;]

  6. 6 de abril de 2012 14:15

    *das memórias e dos afetos

  7. 6 de abril de 2012 14:14

    Achei esse relato lindo.
    Eu tenho carinho especial por blogs sobre livros/músicas/cinema/qualquer-coisa que falem a partir das memórias e de seus afetos. Não acredito em projeto nenhum (seja acadêmico ou pessoal) que não envolva amor e que nÃo atue como um registro de vida e de escolhas.

    Espero que esse bloguinho cresça cada vez mais, viu. E acho uma honra poder acompanhar esse processo de se fazer leitora (porque todo dia a gente se torna mais leitor e conhecedor, né) e amo demais essas resenhas com pitadas de tom confessional.

    Boa sorte em tudo, xará.

    • 6 de abril de 2012 17:29

      Obrigada, querida; pelas visitas, pelo carinho e pelas indicações literárias ótimas. :**

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