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Resenha: Daytripper [graphic novel]

25 de março de 2012

Autores: Fábio Moon e Gabriel Bá
Colorista: Dave Stewart
Letrista: Sean Konot
Introdução: Craig Thompson
Ano das publicações originais (10 volumes): 2010
Língua original: Inglês
Título no Brasil:
Daytripper
Editora: DC Comics (selo Vertigo)
ISBN: 9781401229696
247 páginas

Avaliação:

Depois de Persépolis, Daytripper, dos gêmeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, foi minha segunda experiência com graphic novels. E foi tão maravilhosa que tive que me conter para fechar o encadernado e não devorá-lo de uma sentada só. Eu queria (e não queria!) parar, refletir, deixar pro outro dia. Queria sentir saudade de Brás, o protagonista, antes de terminar a leitura de vez.

Daytripper não só é uma história escrita por brasileiros como é também uma história brasileira, sem deixar de ser universal. Sucesso absoluto no mercado de quadrinhos norte-americano em 2011, quando seus dez volumes foram finalmentes reunidos num só, foi vencedora do Eisner (o maior prêmio dos quadrinhos mundial) em três categorias.

Brás de Oliva Domingos é um escritor de obituários que mora em São Paulo e sonha com o sucesso como ficcionista; é uma pessoa comum e sonhadora. Daytripper é o livro das muitas alegrias e tragédias de Brás, daquilo que ele foi ou que poderia ter sido.

Apesar de extremamente artística, a graphic novel é bastante realista: as histórias de Brás são muito parecidas com as nossas. Afinal, ele não possui um esqueleto de adamantium (nada contra quem possui, óbvio!) nem se propõe a salvar o país. Tudo que Brás deseja é ser feliz no amor e realizar-se com seu trabalho, como a maioria de nós, imagino eu… o que não é nada, nada fácil. Como diz Craig Thompson em sua bela introdução:

O mundo dos quadrinhos há tempos tem sido dividido entre duas vertentes: FANTASIA versus REALISMO. (tradução minha)

A arte visual é sofisticada, e retrata os espaços de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Ceará com cores vibrantes e fiéis. Algumas das minhas sequências preferidas se passam no interior, com direito a galinhas da angola (simpaticamente conhecidas como capotes aqui no Ceará):

Para personificar o ar de sonho que permeia toda a obra, temos a imagem de Iemanjá segundo Bá e Moon. Que tal?

E não podia faltar também a cidade grande, esmagadora, palco dos sonhos da maioria dos brasileiros:

Daytripper é bem mais que a história do menino, jovem, homem e senhor Brás de Oliva Domingos. É a nossa história, daquilo e daqueles que nos cercam e deixam suas marcas (boas ou dolorosas) em nós. Deve ser por isso que, ao fecharmos o encadernado, fatalmente ficamos com a sensação de que também sonhamos os sonhos de Brás e percorremos seus caminhos (palpáveis ou não), todos os dias: somos todos mais um ou uma daytripper.

Comprar: The Book Depository | Livraria Cultura (em português)

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6 Comentários leave one →
  1. 31 de março de 2012 13:53

    Oi Jéssica,
    ótima resenha, como sempre. 🙂
    Tenho muita vontade de ler Daytripper. Já folheei o livro várias vezes na livraria, mas acho que vou acabar comprando pelo Book Depository também. As ilustrações são lindas e a história parece ser muito bonita.
    Outro autor de quadrinhos que está na minha (longa) lista é o Joe Sacco. Ainda chego lá! rsrs
    bjs,
    Amanda

    • 31 de março de 2012 20:21

      Obrigada, Amanda! ^^

      Sempre recomendo a qualquer pessoa que compre no BD. Demora um pouco a chegar, mas a variedade é imensa e os preços, se comparados com os das livrarias nacionais, são excelentes!

      Ah, também tenho uma lista imensa de quadrinhos obrigatórios! Meu próximo será o V de Vingança, do Alan Moore, e a resenha é certa!

      Beijo! ;]

  2. 26 de março de 2012 8:44

    Ah! Só me deixou com mais vontade ainda de ler. É muito bom ver que desenhistas brasileiros conseguem fazer sucesso lá fora com trabalhos originais, e não apenas desenhando capas para revistas de heróis. Gostei muito da resenha, assim que achar uma edição da Panini a uma preço não tão salgado adquiro a minha 😉

    Abraço.

    • 26 de março de 2012 19:20

      Luciano, essa edição da Panini que eu eu recomendei na resenha tem a vantagem de ter capa dura (é o que eu acho, dê uma checada), apesar do preço. Acredito que o papel das folhas também seja superior. Caso você queria pagar menos, procure pela versão paperback deles. Sai bem mais em conta!

      Essa coisa da fantasia X realismo nos quadrinhos é mesmo muito interessante. Eu já escolhi meu time do coração, é o segundo (mas também gosto de heróis, principalmente no cinema)!

      Até mais! ;]

  3. 25 de março de 2012 18:21

    ô Jéssica, preciso nem dizer que amei essa resenha, né?! Essa é uma das HQs mais lindas e queridas pra mim. E também também tive essa mesma sensação de precisar sentir o texto e fazer devidas reflexões. Daytripper parece tao inofensivo, mas é tao poderoso… Fiquei catando na memória o momento exato que ela passa do status de “livro” para “livro que me dá um soco na boca do estômago”.

    Outro aspecto curioso é que, durante a leitura dessa HQ, eu a relacionei demais com o livro A Morte Sem Nome, do Nazarian. Se tu conhece, o que tu acha? Se nao conhece, nem falarei nada pra nao dar spoiler. ahahaha

    Beijo, eu amei essa resenha. *_*

    • 25 de março de 2012 18:28

      Obrigada, dear!

      Já tinha ouvido falar de Daytripper há muito tempo, mas foi sua indicação que fez com que eu me resolvesse a comprar. Olha no que deu! xD

      E não conheço A Morte sem Nome… Colocarei na minha lista já.

      Abraço! ;]

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