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Resenha: Black Beauty (Beleza Negra) [romance]

23 de fevereiro de 2012

Autora: Anna Sewell
Introdução: Meg Rosoff
Ano da publicação original: 1877
Ilustrações: Charlotte Hough
Título no Brasil: Beleza Negra
Editora: Penguin (Puffin)
ISBN: 9780141334882
288 páginas

Avaliação: 

Talvez eu tenha sido a última a saber no país [!] que Black Beauty (Beleza Negra, no Brasil), clássico inglês absoluto e único romance publicado de Anna Sewell, deu origem a um filme que virou tradição na Sessão da Tarde. Mas o lado bom desse acidente é que pude lê-lo antes de conferir a produção.

Não posso deixar de falar da maravilha que é a coleção de  hardbacks da Puffin (selo de literatura infantil da editora Penguin). As capas texturizadas são lindas. Tocar o livro é prazeroso, é como se ele tivesse pele e sentimentos. Todos os títulos são must-reads praqueles que dominam o inglês (ou que têm esse objetivo) e são ligados à literatura infantil de alguma forma. Se você quer conferir os outros títulos da coleção (prepare-se para uma paixão forte!), visite a página no site da editora.

Black Beauty é um livro “do bem”. Isso significa que os protagonistas são heróis coerentes, determinados a sempre agir corretamente e a punir os malfeitores: é um livro explicitamente pedagógico. Mas, calma…! A causa vale a pena, garanto a vocês. O maniqueísmo romântico pode chatear os adeptos do realismo, mas não foi o meu caso. O momento em que o li era perfeito para que o fizesse. Pode até haver quem simpatize com os vícios de um anti-herói  quando está de cama, lutando contra um resfriado persistente, mas eu não: quero boas horas de emoção, descanso e alento; obrigada.

Em Black Beauty, o herói protagonista é um belo cavalo negro cujo nome dá título ao livro (ele ganha muitos nomes ao longo da narrativa, mas esse é o mais marcante). Mais do que isso, Beauty é o narrador. Como não ser tomado por aquela pontinha de emoção ao saber que temos em mãos a autobiografia de um cavalo? Anna Sewell foi sensível o bastante para adivinhar que angústias e alegrias seriam as mais notáveis na vida de um animal como seu protagonista, e procurou traduzi-las na voz gentil e sábia que nos fala no romance.

O livro é dividido em quatro partes. Em cada uma belas, Black Beauty nos fala de uma certa fase de sua vida na Inglaterra vitoriana. Há momentos extremamente tristes e outros alegres, como na vida de qualquer pessoa; mas a diferença é que, no destino de Beauty e dos outros cavalos que convivem com ele, só há uma causa para que sejam como são: os humanos.

Ao longo da narrativa percebemos (eu, pela primeira vez, admito!) que a maioria dos cavalos nasce e morre com apenas um intuito: o de nos servir e se moldar às nossas vidas. Apesar disso, aceitam seu fardo de boa vontade se receberem palavras doces e algum carinho de volta. É um sacrifício do qual não me imaginaria capaz.

Até aqueles que não sentiam grande paixão por cavalos antes da leitura começam a se solidarizar com o doce Beauty e sua honestidade com seus senhores, ou com a vida de sofrimento da égua Ginger e suas constantes revoltas contra os abusos físicos praticados muitas vezes apenas por “estilo”.

Black Beauty é uma pérola da literatura inglesa não só por sua militância a favor dos animais “irracionais”: longe de ser um livro que deve se restringir ao público infantil, é uma narrativa sensível, inteligente e original que nos faz sentir como se montássemos Beleza Negra para cavalgar ao longo de sua história.

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7 Comentários leave one →
  1. Luisa permalink
    13 de junho de 2016 19:06

    Amei a sua resenha, já da uma vontade de ler, ainda não vi o filme, mas só pelo resumo já quero ler o livro primeiro.

    Sou nova aqui, mas acabou de ganhar uma nova leitora.Você escreve muuuuuito bem…

    Já pensou em escrever um livro! Se escrever,saiba que eu gostaria de ser uma das primeiras, senão, a primeira a ler!

    Um grande abraço

    • 21 de junho de 2016 18:24

      Muito obrigada, querida! Em breve voltarei com o blog, e… já pensei em escrever livro, sim! rs

  2. 5 de março de 2012 20:34

    Jéssica, eu não sei nem por onde começar. Só te aviso que vai ser preciso paciência para ler meus futuros comentários gigantescos – Hahahahahaaha! Ganhou mais uma nova fã. Não sei como esse lance de fãs funciona, mas sim, vou estar sempre por aqui te apoiando, comentando, aprendendo e compartilhando minhas manias literárias com você. O Biblioluv foi um dos pouquíssimos (contei dois, incluindo você) blogs literários que me abraçou de uma maneira positiva. Você tem um bom gosto muito bom, muito bom mesmo. Eu gosto. São mais ou menos oito e meia de noite, e eu acabei de conhecer esse teu universo, e não tenho dúvida alguma de que eu vou estar sempre por perto. Sempre.
    Te desejo muita energia boa, Jéssica. Muitos momentos tranquilos e muita luz.

    SUCESSO!

    Fernanda Mathèu,
    http://literaturacafeinada.wordpress.com/

    • 7 de março de 2012 19:36

      Nossa, Fernanda, muito obrigada pelo seu comentário!

      Não se preocupe quanto ao tamanho deles, “fale” o quanto quiser porque eu adoro ler meus visitantes. ^^

      Feliz que tenha gostado do meu universo literário e se identificado com ele. Seja bem-vinda sempre! ;*

  3. 23 de fevereiro de 2012 12:42

    Os clássicos, quase sempre são aposta certa! Ainda não li nem vi o filme, o que é bom, pois me deixa o caminho aberto para ler mais solto, sem ficar preso a concepção de mais alguém. Gostei muito da forma como você debulha a resenha, ponto por ponto, dando mais vontade ainda de quem lê aqui ler ao livro, a resenha ganha um ritmo interessante 😉

    Grande abraço.

    • 23 de fevereiro de 2012 13:21

      Muito obrigada pelo incentivo, Luciano! Vou procurar melhorar minhas resenhas sempre.

      Clássico é clássico, né? Nunca é à toa. O livro é belíssimo e muito emocionante, vou conferir o filme em breve e espero que não fique muito atrás. ;]

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