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Resenha: Fahrenheit 451 [romance]

27 de janeiro de 2012

Autor: Ray Bradbury
Ano da publicação original: 1951
Língua original: Inglês
Título original:
Fahrenheit 451
Tradutor: Cid Knipel
Editora: Globo
ISBN: 9788525046444
264 páginas

Avaliação:

Ao encontrar meu exemplar de Fahrenheit 451 em uma liquidação de livros num hipermercado (sempre elas, hum?), já sabia que se tratava de um clássico. A edição primorosa da Globo fez desse pocket quase um livrinho de luxo (onde mais se faria isso, além de no Brasil?). O papel é de excelente qualidade, delicado, levemente colorido e extremamente macio ao toque. A diagramação é linda e o texto me deixou bastante satisfeita. Paguei menos de R$ 5,OO, um preço ínfimo, por esta maravilha, coisa que não se repete no mundo muitas vezes.

O modo básico de começar a falar de Fahrenheit é definindo-o como um romance distópico. Mas ele é bem mais que uma antiutopia e uma advertência para o mundo: é uma narrativa que chama atenção por sua estética. A escrita de Bradbury é poética, quase musical. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é considerada uma obra máxima da ficção distópica do século XX.

Na sociedade americana de Fahrenheit, a tecnologia é avançada e a população, subjugada. Hipnotizadas pela programação fútil e colorida projetada nas paredes de suas casas (opa, te lembrou alguma coisa?), as pessoas desaprenderam a amar, a sentir revolta e a pensar por si. Mas ainda há aqueles que resistem e guardam seus tesouros preciosos de cultura alternativa: os livros. Eles são expressamente proibidos, e existe uma organização estatal especializada em caçá-los e destrui-los por meio do fogo: os bombeiros (reparou na ironia?). Quando um bombeiro chamado Guy Montag encontra a jovem e incomum Clarisse, começa a questionar-se sobre o porquê de sua ocupação e sobre o valor dos livros que ajuda a queimar. É então que a história toma seu caminho: o da revolução.

E o que seria a revolução em Fahrenheit? Abrir mão dos livros para tornar-se um livro. Guardando os trechos preferidos unicamente na memória, o grupo de resistentes pensa em fazer a diferença num futuro mais brando, quando poderiam imprimi-los novamente. Porque ser revolucionário é bem isso, fazer a diferença, indo contra a corrente da multidão opressora.

Um dos meus trechos preferidos do romance é esta fala de Faber, um melancólico professor aposentado, amigo de Montag, sobre a razão de existir dos livros em nossas vidas:

Os livros servem para nos lembrar quanto somos estúpidos e tolos. São o guarda pretoriano de César, cochichando enquanto o desfile ruge pela avenida: “Lembra-se, César, tu és mortal!”. A maioria de nós não pode sair correndo por aí, falar com todo mundo, conhecer todas as cidades do mundo. Não temos tempo, dinheiro, ou tantos amigos assim. As coisas que você está procurando, Montag, estão no mundo, mas a única possibilidade que o sujeito comum terá de ver noventa e nove por cento delas está num livro. (p.125)

Não poderia deixar de mencionar a produção cinematográfica de François Truffaut, que data de 1966. Algumas mudanças na história foram feitas para a transposição, quase todas na direção da hollywoodização, incluindo um clima de romance-folhetim que inexiste na obra original. Deixo vocês com o trailer do filme (atenção: efetos especiais hilários!) e a recomendação fortíssima desse clássico da ficção científica, tanto para os aficcionados em livros quando àqueles que ainda não perceberam seu valor.

Curiosidade: O número do título, 451, deveria se referir à temperatura, em Fahrenheit, em que o papel dos livros incendeia. Não é isso que acontece, porém. O papel pega fogo a 842 F, que equivalem a mais ou menos 450º C. Fonte: IMDb

Hi, será que nosso Ray se atrapalhou? Que importa, né mesmo? ;]

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10 Comentários leave one →
  1. 19 de fevereiro de 2012 20:48

    Opa! Cheguei aqui atravé do Bibliophile, da Mi, e fiquei muito feliz em ler a resenha de Fahrenheit 451. Bradbury é uma lenda viva, e este talvez seja um dos mais importantes livros de ficção científica já escritos. O filme é até legal, mas não captura toda a essência do livro, e realmente, os efeitos estão bem datados pra nossa época.

    Grande abraço.

    • 20 de fevereiro de 2012 16:30

      Seja bem-vindo, Luciano!

      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha; Fahrenheit 451 realmente é um livro essencial. ;]

  2. 7 de fevereiro de 2012 6:10

    Eu venho aqui e fico com vontade de ler os livros que você fala sobre. HAUHAUAHUAH Assim que meu cartão chegar, vou comprar esse e o outro (Ali e Nino). Gostei muito do tema. Pode ser dos anos 50, mas é extremamente atual.

    • 7 de fevereiro de 2012 12:07

      Que feliz! Talvez eu saiba expressar direito meu amor pelas leituras que escolho… xD

      São maravilhosos, os dois. Mas Ali e Nino é uma das coisas mais lindas que eu já li na vida. Um tesouro perdido, mesmo. Você vai amar, tenho certeza. ;]

  3. 4 de fevereiro de 2012 2:32

    eu li esse livro e se eu fosse descrever diria que é um incômodo, porque ele faz com a gente o que acontece com o personagem principal: faz a gente começar a pensar. pelo menos comigo HUAHA e é tipo aquela coisa de cutucando pra você acordar
    achei bem interessante. e ainda é simples e pequeno, o que não é fácil por aí

    sobre o Truffaut *se metendo ali* nessa época ele provavelmente já devia estar bem acabado. Ele foi marcado no início e por causa de como impulsionou a Nouvelle Vague, o que significa que pra esse filme o valor do nome dele não é grande. HUAHA

    uma pergunta: a primeira vez que passa o caminhão ali, é de brinquedo?

    • 4 de fevereiro de 2012 8:44

      Concordo. O livro é uma mosca que pinta pra nos abusar, como dizia Raul. ;]

      Sobre o Truffaut… Pode ser; mas vendo o filme pela segunda vez acho que fui injusta na minha resenha. Eu gostei do filme, sim (até do caminhãozinho xD). O trailer é bem ridículo, falando em “história de amor”, sensualidade e “duas mulheres que amam o mesmo homem”. Isso não existe no livro, e a gente que leu já vai pra frente da tela com o nariz torcido. ;/

  4. 27 de janeiro de 2012 23:40

    Caramba esse livro está na minha lista há séculos, e nem sei porque nunca rolou de ler, lendo teu texto fiquei com vontade de caçar ele num sebo e finalmente mergulhar nesse universo que chega a dar medo.
    Tua resenha ficou muito especial, parabéns!

    • 28 de janeiro de 2012 13:25

      Obrigada, Mi!

      É um belo livro. A leitura de Fahrenheit vale muito a pena, ainda mais se nos estimula a pensar nos papeis da mídia e dos livros na nossa realidade. ;]

  5. 27 de janeiro de 2012 20:41

    Oi, Jéssica!
    Vi esse filme já tem algum tempo. Na época nem sabia do livro, que ainda não li.
    Acho a história o máximo, mas o filme não é dos meus favoritos. Apesar de adorar o Truffaut, ele e efeitos especiais não se dão bem. rsrs Prefiro a série Antoine Doinel. 😉
    bjs,
    Amanda

    • 28 de janeiro de 2012 13:28

      Não conheço o Truffaut como você, Amanda, mas também não me empolguei muito com o filme. Me pareceu “industrializado” demais, se comparado ao romance…

      De qualquer forma, é um clássico, e foi interessante conferi-lo (ainda mais depois da leitura). ;*

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