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Resenha: Coisas Frágeis [contos]

13 de janeiro de 2012

Autor: Neil Gaiman
Ano da publicação original: 2006
Língua original: Inglês
Título original: Fragile Things
Tradutora: Michele de Aguiar Vartuli
Editora: Conrad
ISBN: 9788576164043
200 páginas

Avaliação: 

Não haveria como começar essa resenha senão dizendo que Coisas Frágeis foi o livro que mais me assustou na vida. Foi mesmo, sem dúvida nenhuma. Tanto foi, que o larguei por meses, por puro medo, como se ele tivesse vida e uma mandíbula cheia de dentes afiados pra me retalhar. A capa já desperta um pouco dos sentimentos que o leitor provavelmente terá ao se aventurar pelas narrativas: é pesada, obscura, triste, almeja quase uma decrepitude. O pequeno filete de sangue que escorre da narina direita do garoto chega a chocar as pessoas mais ortodoxas.

Coisas Frágeis é uma coletânea de contos fantásticos e poemas de Neil Gaiman, publicada lá fora em volume único. No Brasil, foi editada em dois volumes (primorosamente, diga-se de passagem) pela editora Conrad. Aqui falo da primeira parte, composta exclusivamente de contos. São nove: “Um Estudo em Esmeralda”, “A Vez de Outubro”, “Lembranças e Tesouros”, “Os Fatos no Caso da Partida da Senhorita Finch”, “O Problema de Susan”, “Golias”, “Como Conversar com Garotas em Festas”, “O Pássaro-do-Sol” e “O Monarca do Vale”.

Não vou detalhá-los um a um, mas preciso falar sobre os que mais me marcaram e que fizeram do livro o que ele é pra mim: “Lembranças e Tesouros”, juntamente com “O Problema de Susan”, me assombram sempre que os leio; já “Golias” e “O Pássaro-do-Sol” (os preferidos) me deixam numa atmosfera de sonho.

“Lembranças e Tesouros” é a história de um rapaz que tem um dos piores passados e caracteres do mundo. O que ele pensa, faz e ajuda a realizar em seu mundo underground é motivo de cerca de 80% do meu terror, até porque Smith é perfeitamente verossímil. Os outros 20% ficam por conta da crueza e violência com as quais Gaiman fecha “O Problema de Susan”, objetivando dar outro fim à personagem correspondente n’As Crônicas de Nárnia.

Quanto aos preferidos, não saberia dizer qual me encantou mais. O protagonista de “Golias”, um herói que batalha contra forças alienígenas, me lembrou muito o astronauta Dave de 2001: Uma Odisseia no Espaço, que gosto infinitamente mais do que qualquer filme da trilogia Matrix. Foi no primeiro roteiro dessa trilogia que Gaiman se inspirou para escrevê-lo. Confesso que os toques românticos da história deram um colorido especial ao conto.

Já “O Pássaro-do-Sol” é uma metáfora muito poética de nossos ciclos interiores e exteriores. O começo não me pareceu lá muito interessante. Fiquei me perguntando como Gaiman poderia fazer com que uma história que começa com conversas entre membros de um clube de epicuristas degustadores de sabores poderia terminar de uma forma tão esplêndida e universal. É, perdi a aposta!

Coisas Frágeis não é um livro leve nem fácil. Ele tem todo o peso do mundo real, e mais algum dos imaginários. É uma leitura praqueles que, mesmo tendo consciência de toda a lama que se prende em seus sapatos, não abrem mão de sonhar com as estrelas.

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4 Comentários leave one →
  1. Lenon F. permalink
    24 de junho de 2012 15:12

    Acho que a irreverencia e a surpresa se combinam numa onda estonteante de pequenas maravilhas, que brilhando aos poucos, sempre deixam as histórias vivas, crepitantes, e acho que é derrepente, assim como devem ser os acidentes de carro, que nos damos contas de que havia algo longe, num canto, onde a historia parece não ter mais dominio, que nos espreitava o tempo todo, e assim parecem as ruas e estradas do livro para mim, pagina após pagina, como se fosse um surfista num oceano desconhecido e fantastico, uma mescla de polos que vão-se rapido e alto, sem sair do chão, um chão de agua, traçoeiro e suave.

    • 25 de junho de 2012 10:14

      Lenon, que belíssima descrição da obra! Concordo com tudo que você disse.

      Muito obrigada por sua contribuição aqui no blog. ;]

  2. 18 de janeiro de 2012 8:31

    Também tive a mesma sensação que você ao ler esse livro: medo! Acho que ele me pegou desprevenida. É interessante como ele escreve sobre coisas assustadoras com uma linguagem poética.

    • 18 de janeiro de 2012 9:08

      A linguagem do Gaiman é mesmo muito interessante. Por mais agressivo que sejam os temas, ele sempre demonstra uma visão elevada deles. ;]

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