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Resenha: Ali e Nino [romance]

22 de dezembro de 2011

Autor: Kurban Said (pseudônimo de Lev Nussimbaum)
Introdução: Tom Reiss
Ano da publicação original: 1937
Língua original: Alemão
Título original:
Ali und Nino
Tradutor: Flávio Quintiliano
Editora: Nova Fronteira
ISBN: 8520911269
276 páginas

Avaliação:

Ao descobrir Ali e Nino, um best-seller dos anos 30, me senti uma leitora privilegiada, daquelas que desenterram tesouros em piscinas de liquidação de hipermercados: foi exatamente num lugar assim que encontrei meu belo exemplar, já um pouco maltratado pelas toneladas de livros de receitas e afins que as pessoas remexiam ao redor dele. Custou menos de dez reais.

A peculiaridade do romance começa pela autoria controversa: na introdução do livro (por Tom Reiss, biografista do autor), afirma-se que Kurban Said é apenas um dos pseudônimos de Lev Nussimbaum (nascido judeu), que também respondia por outro pseudômino muçulmano: Essad Bay. As várias faces da vida de Nussimabum, que teria nascido em Baku e vivido em Berlim, estariam intimamente ligadas a sua ficção.

Fronteiras que se dissolvem, confrontos ideológicos, cultura oriental, história, guerra, morte, amor e até riso: Ali e Nino consegue reunir tudo isso em si com harmonia poética; e o que é mais fascinante: o romance nos abre uma janela realista para grande parte daquilo que nós, ocidentais, ouvimos falar sobre o xiismo.

A época é a da Revolução Russa e o cenário principal é a peculiar cidade de Baku, na Transcaucásia (hoje região caucasiana que une a Armênia, a Geórgia e o Azerbaijão), onde convivem a Europa cristã e o Oriente muçulmano. Baku, à época, encontrava-se sob domínio russo, sendo hoje capital do Azerbaijão.

O narrador é também um dos protagonistas. Ali Khan Chirvanchir é um jovem nobre xiita que, apesar de suas convicções religiosas, ama a princesa georgiana Nino Kipiani, uma cristã que anda descoberta e sorri quando homens apreciam sua figura esguia (oh!). Ali afirma que não a obrigará a usar véu, e que sua alma é um mistério para ele, acostumado a adivinhar com segurança o que desejam os olhos que espiam por trás das burkas negras.

– Você ama tudo em mim, Ali Khan, meus olhos, meu nariz, minha testa. Porém, esqueceu algo. Tem amor pela minha alma também?

– Sim, pela sua alma também – respondi, cansado.

Era estranho. Eu tinha rido quando Seid Mustafa disse que as mulheres não têm alma. Mas, quando Nino me pediu que descobrisse sua alma, senti-me irritado. O que é a alma de uma mulher? (p.120)

Mas Ali e Nino não é só Ali e Nino. É também o beato fundamentalista Seid Mustafa; Nachararian, o amigável armênio oportunista; Ilias Beg e Mehmed Haidar, os jovens militares apaixonados pelo brilho das promessas da guerra.

É a explicação mais romântica para a a origem do nome da Torre da Donzela. É o brilho do Mar Cáspio, os ventos que carregam os grãos de areia do deserto, a melancolia nos olhos dos camelos e o ímpeto feminista e revolucionário da mulher ocidental.

É ainda mais do que tudo isso: é o oriente e o ocidente inteiros, espelhados nas estrelas que rodeiam o crescente.

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